O agravamento dos conflitos mundiais, a disparada no preço do diesel e a dificuldade de acesso ao crédito estão ampliando a crise no campo e elevando o nível de endividamento dos produtores rurais no Rio Grande do Sul. O alerta foi feito na manhã deste sábado (28) pelo diretor da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Anderson Belloli, durante entrevista ao programa Esquina Democrática.

Segundo o dirigente, o cenário é especialmente preocupante para os produtores de arroz, que enfrentam preços de venda abaixo do custo de produção, além de novos aumentos nas despesas com combustível e incertezas provocadas pelo mercado internacional.
Belloli afirmou que, atualmente, o arroz vem sendo comercializado entre R$ 55 e R$ 65 por saca em diversas regiões do Estado, enquanto o custo de produção varia entre R$ 85 e R$ 90. Na prática, o prejuízo pode chegar a R$ 30 por saca.
A situação, conforme ele, compromete diretamente a sustentabilidade das próximas safras e ameaça a principal matriz econômica de boa parte do interior gaúcho, fortemente dependente do agronegócio.
“O produtor está colhendo, em média, entre 180 e 200 sacas por hectare, mas precisaria de 270 a 280 sacas apenas para empatar os custos”, destacou.
Outro fator que agrava a crise é o preço do óleo diesel, que em algumas localidades já alcança R$ 9,50 por litro. O aumento impacta operações de colheita, irrigação, logística e transporte, pressionando ainda mais a margem do produtor.
Diante das denúncias, a Federarroz informou ter acionado órgãos de fiscalização para apurar possíveis abusos de preço e eventuais práticas de cartelização. A entidade também acompanha a situação do abastecimento, que, segundo Belloli, não apresenta sinais concretos de desabastecimento no momento.
O dirigente ressaltou ainda que o mercado do arroz está cada vez mais sensível aos acontecimentos internacionais. Na avaliação da entidade, um eventual prolongamento das guerras e tensões geopolíticas pode influenciar diretamente custos, exportações e preços internos, mantendo o setor sob forte pressão ao longo do ano.
A projeção da Federarroz é de que 2026 ainda seja marcado por dificuldades, sem expectativa de recuperação brusca nas cotações. A entidade trabalha com a possibilidade de uma aproximação gradual entre custo e preço de mercado, mas sem grandes saltos.
Belloli também chamou atenção para novas regras na concessão de crédito rural ligadas à análise ambiental por imagens de satélite do INPE, o que pode tornar ainda mais rigoroso o acesso a financiamentos nas próximas safras.
Para a entidade, o momento exige planejamento e cautela dos produtores, diante de um cenário que combina crise internacional, custos elevados, entraves financeiros e pressão sobre a renda no campo.




