O custo elevado dos pedágios na região sul do Rio Grande do Sul voltou ao centro do debate. Em programa transmitido ao vivo neste sábado, a enfermeira Fábia Richter recebeu o jornalista, Paulo Richard Ziegler para discutir os efeitos do modelo atual de concessões rodoviárias. Segundo ele, tarifas altas dificultam o crescimento econômico e podem contribuir para o adoecimento da população.

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O tema ganhou relevância após o fim do contrato da concessionária Ecossul, que operou por quase três décadas. A expectativa era de mudança no modelo, mas novos projetos em discussão ainda geram dúvidas.
Histórico das concessões
Paulo explicou que o sistema começou em 1998, com a divisão das rodovias em polos. Na região sul, a concessão passou ao governo federal em 2000. O contrato, inicialmente de 15 anos, foi prorrogado e chegou a quase 28 anos.
Ao longo do tempo, a tarifa subiu acima da inflação. Isso ocorreu por causa de uma fórmula de cálculo complexa, que considerava custos operacionais e índices econômicos. O resultado foi um dos pedágios mais caros do país.
Novo modelo ainda gera incerteza
As concessões atuais são classificadas como de “quinta geração”. O principal avanço é o prazo maior, de até 30 anos. A ideia é diluir os investimentos e reduzir tarifas.
No entanto, o cenário econômico preocupa. A taxa básica de juros elevada aumenta o custo dos projetos. Isso pode manter o pedágio em níveis altos, mesmo com prazos mais longos.
Free flow e mudanças na cobrança
Outro ponto em debate é o sistema de cobrança eletrônica, conhecido como “free flow”. Nele, não há praças físicas. O motorista paga apenas pelo trecho percorrido.
O modelo reduz custos operacionais e amplia a base de arrecadação. Em tese, isso permitiria tarifas menores. Porém, ainda não há garantia de que essa redução chegará ao usuário.
Há também críticas à aplicação de multas. Hoje, quem não paga a tarifa pode receber penalidade imediata. Especialistas defendem um modelo mais flexível, com cobrança posterior antes da multa.
Impacto nos caminhões e nos preços
Um dos pontos mais criticados é a proposta de aumento de até 50% na tarifa por eixo de caminhões. Na prática, isso encarece o transporte de mercadorias.
Segundo Paulo, o custo não fica restrito ao setor de transporte. Ele é repassado ao consumidor final. “Quando o caminhão paga mais, todos pagam mais”, afirmou.
Reflexos no desenvolvimento regional
Para os participantes do programa, o pedágio elevado ajudou a frear o crescimento da região sul. Empresas evitam investir em áreas com logística cara. Isso reduz empregos e renda.
Fábia destacou que o problema vai além da economia. “Quando a pessoa não consegue pagar suas contas ou fazer o negócio crescer, ela adoece”, disse.
Próximos passos
Os projetos de concessão ainda estão em fase de discussão. Lideranças políticas e representantes do setor defendem mais audiências públicas e revisão de pontos considerados críticos.
Entre as principais demandas estão a redução das tarifas e a revisão do modelo de cobrança para caminhões. Também há pressão para que os recursos arrecadados sejam aplicados nas próprias rodovias utilizadas.
O desfecho das negociações deve definir o futuro da infraestrutura e do desenvolvimento econômico da região nos próximos anos.



