O Quênia enfrenta uma nova e inusitada modalidade de crime ambiental: o tráfico de formigas-rainhas. Em Gilgil, no Vale do Rift, contrabandistas aproveitam a estação chuvosa para capturar a espécie Messor cephalotes, conhecida como formiga-gigante-coletora. O interesse é impulsionado por colecionadores internacionais que mantêm os insetos em cativeiro para observar a formação de colônias. No mercado clandestino, uma única rainha pode ser vendida por até R$ 1.185.

Formiga passa a ser alvo de biocriminosos
A operação criminosa baseia-se na biopirataria — a exploração ilegal de recursos naturais. As rainhas são valiosas porque uma única fêmea fecundada pode iniciar um formigueiro inteiro e viver por décadas. Recentemente, autoridades interceptaram um carregamento com 2 mil exemplares no Aeroporto de Nairóbi. No ano passado, um grupo de estrangeiros foi detido com 5 mil formigas prontas para exportação rumo à Europa e Ásia.
Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
Especialistas alertam que a retirada em massa desses insetos prejudica o ecossistema local. As formigas-coletoras atuam como “engenheiras” da natureza, espalhando sementes e garantindo a saúde do solo. Além disso, a introdução dessas espécies em outros países representa um risco biológico. Se escaparem, podem se tornar invasoras e destruir plantações de grãos, competindo com a fauna nativa e desequilibrando a agricultura.
Apesar de a legislação queniana permitir a exploração comercial sustentável mediante autorização, o Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS) afirma que nenhum pedido foi registrado até o momento. O órgão busca agora reforçar a vigilância em fronteiras para detectar o transporte de material orgânico. Enquanto isso, cientistas pedem que o comércio de formigas seja incluído em tratados internacionais de proteção a espécies ameaçadas.



