ECONOMIA

Prefeito de Bento Gonçalves aposta em geração de empregos para diminuir usuários de Bolsa Família

Diego Siqueira defende revisão no acesso ao benefício e foco em autonomia financeira

O prefeito de Bento Gonçalves, Diego Siqueira, afirmou nesta terça-feira (31), em entrevista à Rádio Acústica FM, que a redução da dependência do Bolsa Família passa por uma atuação mais firme do poder público na inserção de beneficiários no mercado de trabalho. Durante a conversa, o gestor defendeu que o benefício deve ser direcionado prioritariamente a pessoas em situação de vulnerabilidade, como mães com filhos ou famílias sem condições de sustento, e criticou a permanência de pessoas aptas ao trabalho no programa social.

Vagas de emprego e oportunidades no RS nesta segunda-feira (21)
Foto: Divulgação

Segundo Siqueira, a administração municipal tem adotado medidas para identificar beneficiários com condições de trabalhar e encaminhá-los a vagas disponíveis na cidade:

“É preciso ter responsabilidade coletiva. Quem tem saúde e oportunidade precisa buscar o trabalho”, afirmou.

O prefeito destacou que a prefeitura realiza ações ativas de abordagem, incluindo visitas domiciliares, oferta de vagas próximas à residência e apoio no encaminhamento para entrevistas. A estratégia, conforme ele, contribuiu para a redução no número de beneficiários do programa no município.

Siqueira também associou a diminuição da dependência do Bolsa Família a outros indicadores positivos da cidade, como a queda nos índices de criminalidade e o aumento da arrecadação municipal. Ele citou ainda que o município apresenta baixos índices de desemprego em comparação com cidades de porte semelhante.

A entrevista contou com a participação do presidente da Associação Comercial e Industrial de Camaquã (Acic), Ênio Nunes, que reforçou a preocupação do setor produtivo com a falta de mão de obra. Segundo ele, diversos segmentos enfrentam dificuldades para preencher vagas, mesmo sem exigência de alta qualificação.

Nunes defendeu a manutenção de políticas assistenciais, mas criticou o que considera uso inadequado do benefício por pessoas que poderiam estar empregadas:

“O assistencialismo é necessário, mas não pode se tornar permanente para quem tem condições de trabalhar”, afirmou.

O prefeito também reconheceu que medidas mais rígidas podem gerar resistência:

“Há quem não concorde, mas é preciso pensar na maioria da população e em quem está trabalhando”, disse.

Por outro lado, Siqueira ressaltou que o apoio estatal deve ser mantido e ampliado em casos de real necessidade, como famílias com pessoas com deficiência ou sem condições de inserção no mercado de trabalho.

Ao final, o gestor defendeu que o debate sobre assistência social e emprego precisa avançar em nível nacional, com foco no equilíbrio entre direitos e deveres e na promoção da autonomia financeira da população.