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Alta de impostos e guerra pressionam cadeia do tabaco

Impacto de decisão tributária levanta alerta sobre empregos e avanço do mercado ilegal no setor do tabaco

A combinação entre a crise internacional, a alta do petróleo e mudanças na política tributária do governo federal preocupa trabalhadores da indústria do tabaco no Sul do País. Representantes do setor afirmam que medidas recentes, como o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre o cigarro, podem reduzir empregos e estimular o contrabando.

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Dirigentes da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco (Fintab) e do sindicato do setor em Santa Cruz do Sul estiveram em Brasília nesta semana. O objetivo inicial era tratar de pautas trabalhistas. No entanto, a agenda mudou após a divulgação de um decreto que eleva a carga tributária sobre o cigarro.

Segundo as entidades, a decisão ocorre em meio a pressões econômicas externas. A guerra no Oriente Médio elevou o preço do petróleo e afetou o custo do diesel, insumo relevante para o agronegócio e para o transporte. Ao mesmo tempo, o governo adotou medidas para conter impactos em setores como aviação, com redução de tributos sobre combustíveis.

Para os representantes do tabaco, a compensação fiscal recaiu sobre o setor. Eles afirmam que o aumento de impostos tende a ampliar o mercado ilegal. Hoje, estimam que o contrabando responda por cerca de 35% do consumo no País. Com a nova carga tributária, esse índice pode crescer.

A consequência direta, segundo as entidades, seria a redução da produção formal. A indústria do tabaco emprega cerca de 44 mil trabalhadores diretos no Brasil. Ao incluir atividades indiretas e induzidas, o número chega a 1,6 milhão de pessoas. Uma retração de 5% no mercado formal, afirmam, poderia eliminar dezenas de milhares de postos de trabalho.

O setor também destaca o peso econômico da atividade na Região Sul. A maior parte da produção nacional está concentrada no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Cerca de 90% do tabaco produzido é exportado. No porto de Rio Grande, por exemplo, o produto responde por parcela relevante da movimentação.

Outro ponto citado é a falta de regulamentação de produtos como cigarros eletrônicos e dispositivos aquecidos. Hoje, eles circulam de forma ilegal no País. Para os representantes, a ausência de controle gera perdas fiscais e dificulta a fiscalização sanitária.

As entidades defendem maior participação nas discussões sobre políticas públicas que afetem o setor. Afirmam que decisões tributárias não devem considerar apenas a arrecadação imediata, mas também os efeitos sobre emprego, renda e formalização da economia.

Enquanto isso, produtores relatam uma safra com boa qualidade, mas preços ainda baixos. Parte da produção permanece armazenada à espera de melhores condições de mercado. O cenário externo e as decisões internas devem definir o rumo da atividade nos próximos meses.

Tags: Agro, GUERRA, Impostos, Tabaco