POLÍTICA

Audiência pública inicia debate sobre regulamentação das associações canábicas no RS

Entidades apontam entraves jurídicos e defendem avanço de projeto de lei no estado

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul deu início, nesta sexta-feira (17), a um debate inédito sobre a regulamentação das associações canábicas no estado. A discussão ocorreu em audiência pública promovida pela Comissão de Segurança, Serviços Públicos e Modernização do Estado, presidida pelo deputado Leonel Radde (PT), e marcou o primeiro de uma série de encontros que deverão ser realizados em diferentes municípios gaúchos.

Audiência pública inicia debate sobre regulamentação das associações canábicas no RS
Audiência pública inicia debate sobre regulamentação das associações canábicas no RS. Foto: Reprodução/Lucas Kloss

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O foco central da audiência foi o papel das associações canábicas no acesso à saúde, tema que ainda enfrenta resistência e estigma em parte da sociedade. O encontro contou com a participação do deputado federal Eduardo Suplicy (PT), que compartilhou sua experiência pessoal com o uso terapêutico da cannabis no tratamento do Mal de Parkinson, diagnosticado em 2023.

Segundo Suplicy, embora a cannabis não represente uma cura, ela contribui significativamente para a qualidade de vida dos pacientes. O parlamentar defendeu o avanço da pesquisa científica e a superação de preconceitos. Ele também destacou mudanças recentes promovidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que ampliaram as possibilidades de uso medicinal da substância, incluindo normas para cultivo e participação de associações em ambientes regulatórios experimentais.

Apesar dos avanços, participantes da audiência apontaram que a regulamentação das associações ainda é lenta e incerta. Representando entidades do setor, o presidente da Ascamed, Mateus Hampel, afirmou que essas organizações atuam para suprir lacunas deixadas pelo Estado, garantindo acesso a tratamentos para pacientes com condições como epilepsia, fibromialgia e dores crônicas.

A advogada Betina Maciel alertou para distorções geradas pela ausência de regulamentação, como a judicialização da importação de medicamentos à base de cannabis, muitas vezes com alto custo ao poder público. Já o vereador de Porto Alegre Aldacir Oliboni (PT) avaliou que o debate avança à medida que cresce a compreensão da sociedade sobre o tema, especialmente quando há necessidade direta de tratamento.

No campo jurídico, o defensor público Guilherme Mariane de Souza destacou que a falta de evidências científicas robustas ainda é um entrave para decisões favoráveis no Judiciário, reforçando a necessidade de regulamentação para fomentar pesquisas e produção de dados.

Como encaminhamento, os participantes da audiência decidiram elaborar uma carta de apoio ao Projeto de Lei 19/2023, de autoria de Leonel Radde, que propõe regulamentar a pesquisa e a distribuição de cannabis no estado. Também foi definida a criação de um grupo de trabalho para dialogar com parlamentares e o governo estadual, além da produção de uma cartilha informativa voltada a profissionais da saúde.

A expectativa é de que os próximos encontros ampliem o debate e contribuam para a construção de um modelo regulatório que contemple segurança jurídica, acesso à saúde e incentivo à pesquisa científica no Rio Grande do Sul.

Tags: ASCAMED, cannabis, cannabis medicinal, Política, Saúde