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“Quase meio dedo”: Dr. Rafael Fraga impressiona ao relatar remoção de supercálculo urinário

Em entrevista ao Primeira Hora, o urologista Dr. Rafael Fraga detalhou o procedimento de três horas que utilizou tecnologia de aspiração para garantir recuperação recorde ao paciente

Na manhã desta quarta-feira (22), o programa Primeira Hora recebeu o urologista Dr. Rafael Fraga, que compartilhou detalhes sobre uma intervenção cirúrgica de alta complexidade realizada no Hospital Santa Casa de Porto Alegre. O especialista apresentou o caso de um paciente de 40 anos que sofria com dores intensas e sangramentos devido a um cálculo vesical de grandes dimensões.

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Foto: Alice Campos/Acústica FM

Tecnologia Laser

O procedimento, realizado por via endoscópica, utilizou uma microcâmera e fibras de laser para fragmentar a pedra diretamente dentro da bexiga, sem a necessidade de cortes externos. Dr. Rafael revelou que o desafio foi maior do que o previsto inicialmente pelos exames de imagem, já que o cálculo apresentava quase 4 centímetros e uma densidade extrema. “A gente demora mais ou menos uma hora para quebrar um centímetro de cálculo; nesse procedimento, eu demorei uma hora para cada centímetro quadrado”, relatou o médico. Para evitar que os resíduos causassem novas obstruções, ele utilizou um equipamento especializado: “Como o volume de cálculo é muito grande, eu tenho que entrar com um aspirador que a gente chama de aspirador deic; você entra e suga todos os fragmentos para dentro de um potinho”.

Complexidade Cirúrgica

A cirurgia estendeu-se por mais de três horas, exigindo um esforço físico e mental exaustivo da equipe médica devido à manipulação constante das fibras óticas e do laser. O urologista explicou que, embora o paciente também possua cálculos nos dois rins, a dureza da pedra na bexiga consumiu o tempo limite de segurança da anestesia, obrigando a equipe a planejar o restante do tratamento para uma segunda etapa daqui a duas semanas. “Chega um determinado momento, quatro horas de cirurgia, que a nossa sabedoria manda parar o procedimento e vir numa segunda etapa”, afirmou o doutor, descrevendo o desgaste da operação ao pontuar que “a gente acaba a cirurgia com a roupa do bloco cirúrgico completamente encharcada, como se tivesse saído de uma sauna”.

Recuperação Acelerada

A grande vantagem da técnica apresentada reside na recuperação pós-operatória, que é drasticamente menor do que nos métodos tradicionais de cirurgia aberta. O especialista ressaltou que, se não fosse pelo uso do laser, o paciente precisaria de uma incisão abdominal com meses de cicatrização, enquanto a técnica atual permite uma mobilidade quase imediata. “Se não é por essa tecnologia, você teria que abrir a bexiga e a recuperação seria muito mais lenta. Por essa técnica, a semana que vem ele já está podendo fazer academia de novo”, celebrou Dr. Rafael. O cuidado foi tão minucioso que o médico aspirou até o último fragmento para evitar recidivas precoces, considerando que o paciente possui uma forte predisposição genética para a formação de novos cálculos urinários.