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A visão sistêmica como caminho para a cura e a leveza nas relações

No programa Conecta desta quarta-feira (22), Kelem Raphaelli detalha as leis do pertencimento e do perdão, ensinando mulheres a deixarem de carregar fardos que não lhes pertencem

Nesta quarta-feira (22), o programa “Conecta” recebeu a mentora sistêmica Kelem Raphaelli para uma conversa profunda sobre autoconhecimento e transformação. Advogada de formação, Kelem compartilhou como sua própria trajetória de adoecimento e conflitos familiares a levou a buscar respostas além dos tribunais, onde sentia que entregava apenas um “papel frio” aos clientes sem resolver a raiz das dores. “É maravilhoso poder falar sobre a visão sistêmica, algo que transformou a minha vida e que eu encarei como uma transição de carreira para levar para essas mulheres um novo jeito de olhar a vida”, afirmou a convidada, destacando que o método é, antes de tudo, uma nova filosofia de cura pessoal.

A visão sistêmica como caminho para a cura e a leveza nas relações
Foto: Alice Campos

O equilíbrio através das leis sistêmicas

Durante a entrevista, a especialista detalhou como a constelação familiar, criada por Bert Hellinger, utiliza leis fundamentais — hierarquia, pertencimento e equilíbrio de troca — para restaurar a paz nas relações. Segundo Kelem, o sofrimento muitas vezes surge quando ocupamos lugares que não são nossos, agindo como juízes de nossos antepassados. Ao aplicar essas leis, é possível interromper ciclos de sacrifício e sobrecarga. “A pessoa chega no movimento sistêmico que é trazer a paz e a leveza nas relações”, explicou, reforçando que respeitar os ancestrais, independentemente do que ocorreu no passado, é o primeiro passo para deixar de carregar fardos que não nos pertencem.

O florescer da mulher consciente

O foco no público feminino é uma marca do trabalho de Kelem, que desenvolveu o método “Florescer do Feminino” unindo neurociência, psicanálise e exercícios sistêmicos. Ela revelou que muitas mulheres chegam até ela com dificuldades de impor limites ou por estarem presas a um “masculino ferido”, manifestado pelo controle e autoritarismo. A mentora ressaltou que essas travas muitas vezes são fruto de lealdades invisíveis à família. Para Kelem, a mudança exige coragem para assumir uma nova postura diante do destino: “Uma frase que eu sempre uso com as mulheres que eu trabalho: ‘Quando uma mulher se posiciona, a vida responde'”.

A nova face do perdão

Ao final do encontro, a convidada trouxe uma perspectiva inovadora sobre o ato de perdoar, descrevendo-o como um processo de autorresponsabilidade em três movimentos: reconhecer a dor, entregar ao outro o que é dele e responsabilizar-se pela própria parcela. Para a visão sistêmica, manter uma narrativa de mágoa cria um vínculo de dor que impede a evolução. “O perdão é eu não carregar mais… tudo foi como foi, tudo é como é”, pontuou Kelem, deixando um convite ao amadurecimento emocional. Ela encerrou sua participação lembrando que as experiências passadas não devem ser sentenças: “O que nos acontece não nos define, é aquilo que a gente escolhe fazer com o que nos aconteceu”.