Reforma tributária

Efeitos da Reforma Tributária já pesam no caixa das empresas do setor agro

Dra. Luciana Pereira da Costa analisa a transição complexa do sistema fiscal e reforça que o planejamento tributário agora é peça-chave na definição do preço de venda

A edição desta segunda-feira (27) do programa Primeira Hora recebeu a advogada tributarista Dra. Luciana Pereira da Costa, da Tax Group, para analisar os primeiros impactos práticos da reforma tributária, especialmente no agronegócio.

Efeitos da Reforma Tributária já pesam no caixa das empresas do setor agro
Luciana Pereira da Costa. Foto: Eduardo Vicente/Acústica FM

Fim de isenções

Dra. Luciana destacou que a nova regulamentação da reforma já altera benefícios fiscais antes consolidados. “Temos a Lei Complementar 224 que está regulamentando a reforma e dentro desta regulamentação ela está fazendo uma aplicação de uma redução linear de 10% em todos os benefícios fiscais”, explicou. Na prática, produtos que antes eram isentos passam a ter tributação parcial, como equipamentos agrícolas e insumos. “O produto que era isento de IPI, PIS, de COFINS, ele passa a ter 10% da alíquota padrão”, afirmou, indicando que esse movimento já começa a impactar diretamente os custos do setor.

Impacto na cadeia produtiva

Outro ponto de atenção levantado pela especialista é a redução no aproveitamento de créditos tributários, o que afeta toda a cadeia produtiva. “Antes eu aproveitava 100% dos meus créditos tributários, hoje eu aproveito 90%. 10% o governo simplesmente tirou”, pontuou. Segundo ela, essa mudança representa um aumento indireto da carga tributária, exigindo maior controle financeiro das empresas. A advogada ressaltou ainda que os efeitos já são sentidos desde abril: “A tributação já começou, quem está trabalhando com isso já percebeu ali na sua contabilidade”.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Necessidade de estratégia

A reforma também traz um novo cenário de transparência fiscal, no qual empresas poderão acessar informações sobre benefícios de concorrentes. Para Dra. Luciana, isso muda a lógica de gestão. “O jogo mudou, vamos se adequar a essas novas formas”, afirmou. Ela reforçou que o setor tributário passa a ter papel estratégico dentro das empresas: “Hoje o tributário faz parte das conversas estratégicas, não tem como pensar em preço de venda sem entender a parte tributária”.

Atenção redobrada

Por fim, a especialista alertou que o processo de transição tende a ser mais complexo do que o esperado inicialmente, exigindo planejamento e precisão nos cálculos. “O Brasil não é para amadores, quando a gente vem para a área tributária essa frase realmente faz todo sentido”, disse. Ela orienta que empresários abandonem decisões baseadas em suposições e passem a trabalhar com dados concretos: “Você não tem que achar, você tem que calcular”. A entrevista reforça que, diante das mudanças, a adaptação será essencial para manter a competitividade, especialmente em um setor estratégico como o agronegócio.

Tags: advocacia, reforma tributaria