O deputado federal Paulo Pimenta (PT) afirmou, em entrevista concedida nesta quarta-feira (29) à Rádio Acústica FM, que o governo federal trabalha para ampliar e flexibilizar as condições de renegociação das dívidas agrícolas, especialmente no Rio Grande do Sul, onde a situação é considerada mais grave devido a fatores climáticos e econômicos.

Segundo o parlamentar, a crise no setor é resultado de uma combinação de eventos adversos, como estiagens, enchentes recentes e a queda no preço de commodities como soja e arroz. Ao mesmo tempo, houve aumento significativo no custo de insumos, como combustíveis e fertilizantes, pressionando ainda mais os produtores rurais.
Pimenta destacou que o governo já disponibilizou cerca de R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas, sendo que aproximadamente R$ 8 bilhões foram utilizados — com forte adesão de produtores gaúchos. No entanto, ele reconheceu que muitos agricultores não conseguiram acessar os recursos devido a critérios considerados restritivos, como exigências bancárias e condições relacionadas a decretos de calamidade pública.
Diante desse cenário, o deputado afirmou que a proposta em construção prevê quatro principais: ampliação do volume de recursos, aumento do prazo de carência, flexibilização das exigências de crédito e ampliação do número de municípios aptos a participar:
“Precisamos criar mecanismos para que quem mais precisa consiga acessar esse dinheiro”, ressaltou.
O líder do governo também mencionou reuniões recentes com a equipe econômica e disse que a expectativa é apresentar uma proposta definitiva até a próxima semana. Ele ainda citou a prorrogação de vencimentos de parcelas agrícolas como uma medida emergencial já adotada, mas reforçou que o setor precisa de soluções estruturais para enfrentar o endividamento crescente.
Por fim, Pimenta avaliou que a crise não se limita ao campo e já impacta toda a cadeia do agronegócio, incluindo fornecedores e a indústria de máquinas agrícolas. Ele defendeu uma abordagem pragmática, sem politização do tema, e destacou a importância de aproveitar programas mais amplos de refinanciamento de dívidas que o governo federal pretende lançar nos próximos dias.



