Nesta segunda-feira (04), o programa Primeira Hora, recebeu o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, para uma análise profunda sobre os bastidores das negociações do Projeto de Lei 5122 em Brasília.

O Papel de Renan Calheiros
A estratégia da Farsul em Brasília passou por conscientizar o relator do PL no Senado, Renan Calheiros, sobre a gravidade da crise. Antônio da Luz explicou que o senador inicialmente estava inclinado a aceitar propostas mais brandas do governo, mas mudou de postura após a intervenção técnica da federação. “O senador demonstrou um interesse diferente e houve uma reação do governo muito forte”, afirmou o economista, ressaltando que a fala contundente de Calheiros na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) tirou o Executivo da zona de conforto ao ameaçar colocar o projeto em votação caso uma solução real não fosse apresentada.
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O Fundo do Pré-Sal como saída econômica
Antônio defendeu do uso de recursos do Fundo Social do Pré-sal para financiar a renegociação das dívidas, uma alternativa que não impactaria o resultado fiscal do governo por não ser uma despesa primária. O economista enfatizou que o modelo de securitização dos anos 2000 é impossível de ser replicado devido ao gigantismo atual do setor, que hoje movimenta quase R$ 900 bilhões apenas em crédito bancário. “Os recursos do Fundo Social do Pré-sal são a forma mais adequada para resolver o problema. É um recurso de fundo que é usado e o produtor devolve esse dinheiro à medida que ele vai pagando. Não é dinheiro morto”, explicou, criticando a resistência do Ministério da Fazenda em priorizar agendas com maior apelo eleitoral imediato.
A busca pelo “antibiótico forte”
Antônio da Luz relatou as dificuldades no diálogo com o Ministério da Fazenda, comparando as propostas governamentais a tratamentos ineficazes para uma crise profunda. “Eu disse para eles: “Vamos resolver o problema. Para de dar aspirina para quem tá com problema de infecção. Esse cara precisa tomar antibiótico forte’“, desabafou. O economista reiterou que a Farsul não aceitará remendos ou acordos superficiais que sirvam apenas como retórica política, mantendo a exigência de que qualquer medida do governo seja fiel ao texto do PL 5122 para garantir que a solução chegue, de fato, ao produtor rural.




