SAÚDE

Emergência em saúde no RS: infectologista explica aumento de casos respiratórios

Crescimento de casos no outono é esperado, mas baixa vacinação preocupa especialistas

O decreto de emergência em saúde pública no Rio Grande do Sul, anunciado no final de abril, ocorre em meio ao aumento da procura por atendimento médico por sintomas respiratórios em todo o Estado. Em entrevista, o médico infectologista Vinicius Monteiro esclareceu que, apesar da pressão sobre os serviços de saúde, o cenário atual segue dentro do comportamento esperado para o período.

Já está disponível na Rede de Farmácias São João a vacina contra a gripe - Vacinação - Arambaré
Foto: Divulgação

Segundo o especialista, há um crescimento nas consultas e internações, especialmente em unidades de pronto atendimento. No entanto, ele ressalta que esse avanço acompanha a sazonalidade típica do outono e início do inverno:

“Todos os anos, nesta época, há um aumento de síndromes respiratórias, principalmente por conta de ambientes fechados e maior proximidade entre as pessoas”, explica.

Entre os principais vírus em circulação em 2026, o destaque é o rinovírus — causador do resfriado comum — que lidera o número de internações no Estado. Na sequência aparecem o vírus da influenza (gripe), o coronavírus e, entre crianças pequenas, o vírus sincicial respiratório.

Monteiro também chama atenção para a rápida disseminação em ambientes coletivos, como locais de trabalho e escolas:

“É comum que um caso inicial acabe contaminando várias pessoas no mesmo ambiente, como um efeito em cadeia”, observa.

Medidas simples ajudam a conter transmissão

O infectologista reforça que atitudes básicas são fundamentais para reduzir o contágio. Entre elas, evitar contato com outras pessoas ao apresentar sintomas, especialmente com grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas.

O uso de máscara também é recomendado em casos sintomáticos:

“Mesmo uma máscara simples ajuda a evitar que o vírus seja transmitido durante fala, tosse ou espirro”, destaca.

A higienização frequente das mãos e a chamada “etiqueta da tosse” — como cobrir a boca com o antebraço — também são medidas eficazes.

Outro ponto importante é o período de maior transmissão. De acordo com o médico, os primeiros cinco dias de sintomas são os mais críticos. Ainda assim, a recomendação é manter o uso de máscara por até 10 dias, mesmo com melhora clínica.

Vacinação ainda é desafio

Apesar da disponibilidade de doses no Estado — mais de 1,8 milhão distribuídas em 2026 —, a vacinação contra a gripe enfrenta entraves logísticos em alguns municípios. Relatos de falta de imunizantes em postos de saúde têm sido frequentes.

O infectologista alerta para a baixa cobertura vacinal, atualmente em torno de 11%, muito abaixo da meta de 90% necessária para garantir proteção coletiva:

“A vacinação é uma das principais formas de prevenção. Precisamos ampliar esse índice para reduzir a circulação do vírus”, afirma.

Ele ainda destaca que, na ausência de doses na rede pública, a vacinação na rede privada pode ser uma alternativa, embora reconheça que o custo nem sempre é acessível a todos.

Confira as orientações do infectologista

Tags: infectologista, influenza