Na manhã desta quarta-feira (13), o programa Primeira Hora recebeu Marcílio Drescher, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), para uma análise sobre os rumos da produção de tabaco no Sul do país. Durante a conversa, Drescher detalhou a recente audiência da entidade com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), buscando reverter a fragmentação das tabelas de preços que hoje penaliza o agricultor.

Luta pela Rentabilidade
Marcílio destacou que insumos e, principalmente, a mão de obra — que representa 43% do custo total por hectare — tiveram altas expressivas, enquanto a maioria das empresas ofereceu reajustes abaixo do necessário. “Este ano nós tivemos custo de produções em média de 8 a mais de 10%, chegou até 12%, muitas vezes mais do que a própria inflação”, alertou o presidente. Para ele, o produtor está “espremido” entre o custo alto e o valor de compra insuficiente, o que justifica a angústia vivida no campo durante o momento da comercialização.
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Insumos garantidos
Apesar do cenário de incerteza nos preços, Drescher trouxe tranquilidade quanto ao fornecimento de fertilizantes, diferenciando o tabaco de outras culturas de verão. Graças à estratégia de compra antecipada das empresas fumageiras, o setor está protegido contra as oscilações causadas pelos conflitos internacionais no Oriente Médio. Entretanto, a Afubra reforça o alerta para a necessidade de reduzir a área plantada para evitar a superprodução. “Nós deveríamos reduzir o plantio, sob certa ótica que nós enxergamos, em torno de 10% da nossa produção brasileira”, defendeu Marcílio.
Longevidade do setor
Ao projetar o futuro, o presidente da Afubra demonstrou otimismo, mas pontuou a urgência de regulamentações sobre as novas formas de consumo de nicotina, como os dispositivos eletrônicos. A preocupação reside na entrada de produtos clandestinos que não utilizam a folha de tabaco brasileira, o que ameaça a cadeia produtiva que exporta cerca de 90% do que produz. “O tabaco certamente terá vida longa”, afirmou Drescher, embora reconheça que o mercado internacional passa por uma transição gradual de hábitos. Para ele, a garantia de futuro para o fumicultor sul-riograndense depende de uma visão estratégica que possa unir representatividade política, controle de área e adaptação às novas demandas globais.





