Na manhã desta terça-feira (19), o programa Primeira Hora recebeu o médico urologista Dr. Rafael Fraga para debater um tema de extrema relevância para o planejamento familiar: a infertilidade masculina. Tomando como ponto de partida o caso real de um jovem casal — ele com 30 anos e ela com 27 — que tentava conceber há 18 meses sem sucesso, o especialista esclareceu que o sinal de alerta deve ser acendido após um ano de relações regulares sem métodos contraceptivos. “A chance de engravidar por mês é em torno de 24%; passou de 12 meses de tentativa, tem que investigar, porque se trata de uma situação de uma doença chamada infertilidade”, advertiu o médico.

O impacto da varicocele
Aprofundando o diagnóstico do paciente citado, o Dr. Rafael Fraga detalhou o papel da varicocele, uma das causas orgânicas mais frequentes para a baixa contagem e pouca movimentação dos espermatozoides. Caracterizada pela dilatação das veias testiculares, a patologia atua de forma muito semelhante às varizes das pernas devido a uma falha genética nas válvulas venosas, o que compromete diretamente a oxigenação e a temperatura ideal dos testículos. Através do suporte de exames de imagem, o urologista confirmou a dinâmica clínica: “Levei ele para a ecografia. Veias com mais de 3 mm de diâmetro são caracterizadas como dilatadas. Ele tinha um número aumentado de veias assim”.
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A eficácia do tratamento cirúrgico
Apesar do impacto inicial do diagnóstico, o cenário para os pacientes que sofrem com a varicocele é altamente otimista graças aos avanços das intervenções urológicas modernas. O tratamento cirúrgico é indicado quando o problema gera dores e sensação de peso escrotal ou quando afeta diretamente os índices de fertilidade no espermograma. O Dr. Rafael Fraga explicou como o procedimento corrige a anatomia local de forma precisa para restabelecer a saúde do paciente: “O tratamento é cirúrgico: eu ligo essas veias dilatadas e deixo as de calibre normal. Assim, o testículo fica mais oxigenado, produz mais espermatozoides, melhora a dor e a movimentação”.
A influência do fator emocional no processo
A pressão mental por resultados imediatos costuma gerar comportamentos extremos no cotidiano dos casais, os quais muitas vezes agravam o quadro em vez de ajudar no processo reprodutivo. O urologista ilustrou essa realidade ao recordar o comportamento obstinado da companheira de um colega de faculdade: “A esposa ficou tão preocupada que, após a relação, ficava meia hora com as pernas para cima na parede para não deixar sair nada. Não deu certo; acabaram tendo que fazer fertilização in vitro para ter sucesso na gravidez”. Ao encerrar a participação, o médico reforçou a importância do equilíbrio emocional e do acompanhamento médico integrado e conjunto entre o urologista e o ginecologista para guiar os casais rumo ao sonho da gestação de maneira segura.



