O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Domingos Velho Lopes, demonstrou frustração e preocupação com o adiamento da votação do Projeto de Lei 5.122 no Senado Federal. Em entrevista concedida nesta quinta-feira (21), o dirigente afirmou que havia expectativa de aprovação do texto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), mas o governo federal solicitou mais tempo para avaliar a proposta, alegando falta de recursos.

O projeto prevê a criação de uma linha especial de financiamento voltada a produtores rurais afetados por eventos climáticos extremos e impactos econômicos causados por conflitos geopolíticos. Segundo Domingos, a proposta vinha sendo construída há meses com apoio de parlamentares governistas e da oposição, além de já contar com parecer favorável do relator, senador Renan Calheiros.
De acordo com o presidente da Farsul, o setor produtivo gaúcho recebeu a decisão com indignação. “Mais uma vez o governo federal, no último minuto, pede mais uma reunião e apresenta outro modelo de proposta, dizendo que não é factível e que não há recurso”, afirmou. Ele também criticou o que chamou de falta de vontade política para avançar na construção de uma solução definitiva ao endividamento rural.
Domingos ressaltou que o texto do PL foi elaborado para contemplar produtores de diferentes portes, desde a agricultura familiar até grandes propriedades rurais. Para ele, medidas adotadas até agora não tiveram efetividade. “O governo diz que já fez mais de 20 medidas. Se fossem efetivas, nós não estaríamos aqui novamente”, declarou.
Durante a entrevista, o dirigente da Farsul afirmou que o setor agropecuário enfrenta um cenário econômico delicado, marcado por juros elevados, custos de produção altos e commodities em baixa. Segundo ele, mesmo com uma safra considerada normal, muitos produtores enfrentam dificuldades para manter as atividades no “zero a zero”.
O presidente da Farsul também comentou a situação da cadeia produtiva do tabaco no Rio Grande do Sul, citando queda nos preços pagos aos produtores e mobilizações previstas no estado. Para ele, o cenário reforça a necessidade de respostas rápidas e técnicas para o agronegócio gaúcho.
Apesar da frustração com o adiamento da votação, Domingos afirmou que a entidade seguirá articulando junto ao Congresso Nacional e ao governo estadual em busca da aprovação do projeto. “Estamos muito preocupados com a política atrapalhando a razão”, concluiu.




