SAÚDE

Dengue no RS teve queda de 96% em 2026, mas especialista alerta para cuidados no inverno

Bióloga do Cevs destaca redução de casos e mortes por dengue, reforça importância da vacinação e pede manutenção das medidas preventivas mesmo durante o frio

A redução das temperaturas no Rio Grande do Sul contribuiu para diminuir a transmissão da dengue neste período do ano, mas os cuidados preventivos contra o mosquito Aedes aegypti seguem sendo fundamentais. O alerta foi feito pela bióloga Vanessa Lagranha, do Centro Estadual de Vigilância Sanitária (Cevs), durante entrevista concedida nesta segunda-feira (25). Segundo ela, embora o inverno desacelere o ciclo de reprodução do vetor, a dengue permanece presente durante todo o ano no Estado desde 2022.

Foto: Gil Martins/Acústica FM

Conforme a especialista, o Rio Grande do Sul registrou uma redução de quase 96% no número de casos de dengue em 2026 na comparação com o ano passado. O número de óbitos também caiu significativamente. Até o momento, foram confirmadas duas mortes pela doença neste ano, enquanto em 2025 o Estado contabilizou 53 vítimas fatais. Vanessa destacou que os casos mais graves geralmente envolvem idosos e pessoas com comorbidades, como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas.

A bióloga também reforçou a importância da vacinação como estratégia para reduzir complicações e mortes causadas pela doença. Atualmente, a vacina Qdenga, aplicada em duas doses com intervalo de 90 dias, está disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em todos os municípios gaúchos. Já a vacina do Butantan, em dose única, está sendo destinada neste momento aos profissionais da atenção primária em saúde. Apesar da disponibilidade, Vanessa afirmou que a procura ainda é baixa.

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a ampla presença do mosquito transmissor no território gaúcho. Segundo o Cevs, 478 municípios do Rio Grande do Sul já são considerados infestados pelo Aedes aegypti, restando apenas 19 cidades sem comprovação da presença do vetor. A especialista explicou que os ovos do mosquito podem permanecer viáveis por até um ano sem contato com água, o que exige cuidados contínuos mesmo nos meses frios.

Vanessa Lagranha ainda alertou para a necessidade de manutenção das medidas preventivas dentro das residências. Ela ressaltou que recipientes com água parada, piscinas sem tratamento adequado, vasos e calhas podem se tornar criadouros do mosquito. A orientação é que a população realize ao menos uma vez por semana uma vistoria nos ambientes domésticos para eliminar possíveis focos e impedir o desenvolvimento do vetor antes da chegada do verão.

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