ECONOMIA

Proposta sobre fim escala 6×1 ignora realidade de empresas e trabalhadores, diz Federasul

Rafael Goelzer afirma que empresas já enfrentam dificuldades para contratar e alerta para impactos sobre produtividade

O presidente em exercício da Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Rafael Goelzer, manifestou preocupação com os impactos da proposta que altera a jornada de trabalho e prevê o fim da escala 6×1. Em entrevista concedida nesta segunda-feira, o dirigente afirmou que a discussão está sendo conduzida sem estudos aprofundados sobre seus efeitos na economia e no mercado de trabalho.

Proposta sobre fim escala 6x1 ignora realidade de empresas e trabalhadores, diz Federasul
Foto: Divulgação

Segundo Goelzer, a medida poderá trazer consequências para diversos setores da economia, incluindo comércio, serviços, indústria e agronegócio. Ele argumenta que a redução da jornada, sem mudanças nos encargos trabalhistas, não atacaria os principais problemas enfrentados por trabalhadores e empregadores.

“O trabalhador trabalha muito, a empresa paga caro e o trabalhador recebe pouco”, afirmou. Para o dirigente, a discussão deveria priorizar o aumento da renda líquida dos trabalhadores e uma maior flexibilidade nas relações de trabalho.

Durante a entrevista, Goelzer defendeu a criação de mecanismos que permitam ao trabalhador escolher quantas horas deseja trabalhar, de acordo com sua realidade e necessidades. Na avaliação dele, a legislação trabalhista atual, criada há mais de 80 anos, precisa ser modernizada para acompanhar as transformações do mercado.

O representante da Federasul também destacou possíveis impactos sobre profissionais que recebem parte significativa da remuneração por comissões e gorjetas, como vendedores e garçons. Segundo ele, a redução da jornada poderia resultar em diminuição da renda desses trabalhadores, especialmente em atividades concentradas nos finais de semana.

Outro ponto levantado foi a dificuldade enfrentada pelas empresas para preencher vagas de emprego. Goelzer afirmou que muitos setores já enfrentam escassez de mão de obra e que uma eventual redução da carga horária exigiria novas contratações em um cenário onde já há dificuldades para encontrar trabalhadores.

A entidade acompanha a tramitação da proposta no Senado Federal e defende a inclusão de alterações no texto. Entre as alternativas apoiadas pela Federasul está uma proposta de emenda constitucional apresentada pelo senador Rogério Marinho, que, segundo Goelzer, amplia a liberdade de negociação da jornada de trabalho e busca aumentar a renda disponível dos trabalhadores.

Para o presidente em exercício da Federasul, o debate sobre o futuro das relações de trabalho deve considerar as diferentes realidades dos brasileiros e buscar soluções que conciliem geração de emprego, renda e competitividade das empresas.

Confira a fala do presidente da Federasul sobre o fim da jornada de trabalho 6×1

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