O programa Primeira Hora desta quarta-feira (03) recebeu o novo presidente do Sulpetro, o engenheiro e empresário Fabrício Braz, para discutir a complexa realidade do setor de combustíveis no Brasil. Natural de Santana do Livramento e atuando há 26 anos em uma rede familiar, o executivo assumiu recentemente a liderança da entidade, que defende os interesses de mais de 3.000 postos de serviços no Rio Grande do Sul.

Concorrência acirrada
Um dos pontos abordados na entrevista foi a disparidade competitiva entre as grandes redes de combustíveis e os pequenos proprietários, que encontram na escala de vendas o maior obstáculo para a sobrevivência do negócio. Fabrício Braz explicou que a margem de lucro do revendedor é historicamente baixa e que as oscilações diárias de custo exigem uma gestão resiliente e milimétrica. O cenário se torna ainda mais confuso com as constantes intervenções governamentais e a política de subsídios temporários aplicados à gasolina e ao diesel. De acordo com o presidente do Sulpetro, “a gente vê um mercado que os revendedores não estão conseguindo nem entender, de tantos subsídios e preços alterando a todo momento”.
Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
A dependência da importação por falta de refino
Braz também esclareceu um paradoxo que frequentemente intriga a população: a alta nos preços internos mesmo sendo o Brasil um grande produtor de petróleo bruto. O executivo apontou que o país ainda precisa importar entre 15% e 20% da gasolina e cerca de 30% do diesel para atender à demanda nacional, uma dependência decorrente da falta de investimentos históricos na infraestrutura de refino do país. Para ele, o caminho ideal para solucionar a instabilidade do setor seria a desestatização, afastando as pressões ideológicas da precificação dos combustíveis.
Oportunidades para a matriz energética gaúcha
Como alternativa para fortalecer a economia regional e baratear os custos ao consumidor a médio prazo, o dirigente apontou o desenvolvimento dos biocombustíveis no Rio Grande do Sul. Ele salientou o potencial do estado na produção de etanol a partir de grãos como o milho, a soja e até mesmo o arroz, o que poderia se transformar em um estímulo robusto para o agronegócio local e reduzir a dependência das oscilações internacionais.



