SAÚDE

Urologista alerta para riscos da reposição hormonal sem acompanhamento médico

Rafael Fraga destacou que o uso inadequado pode causar infarto, AVC e até estimular o desenvolvimento de câncer

O urologista Rafael Fraga fez um alerta sobre os riscos da reposição hormonal masculina realizada sem acompanhamento médico durante entrevista concedida nesta terça-feira (09). O tema ganhou repercussão nacional após a morte de um fisiculturista de 22 anos, caso associado ao uso excessivo de hormônios para fins estéticos.

Urologista alerta para riscos da reposição hormonal sem acompanhamento médico
Foto: Acústica FM

Segundo o especialista, a reposição hormonal com testosterona deve ser indicada apenas em situações específicas, quando o paciente apresenta sintomas compatíveis com deficiência hormonal e exames que comprovem níveis reduzidos da substância. Entre os principais sinais estão diminuição da libido, falta de disposição, alterações do sono, irritabilidade e perda de memória.

Fraga explicou que muitos homens buscam a reposição hormonal para acelerar o ganho de massa muscular. No entanto, o uso sem necessidade médica pode elevar os níveis de testosterona muito acima dos valores considerados normais, provocando uma série de complicações à saúde.

Entre os riscos apontados pelo urologista estão o aumento da musculatura cardíaca, fator que pode levar à morte súbita por infarto, além de alterações na fertilidade masculina, crescimento de cânceres já existentes, aumento da pressão arterial, retenção de líquidos e queda de cabelo.

O médico também chamou atenção para um efeito conhecido como policitemia, condição caracterizada pelo aumento excessivo dos glóbulos vermelhos no sangue. Conforme explicou, o problema deixa o sangue mais espesso, elevando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Por isso, pacientes que fazem reposição hormonal devem realizar exames periódicos, no máximo a cada seis meses.

Durante a entrevista, Fraga relatou casos clínicos que evidenciam os perigos do uso inadequado de hormônios e suplementos comercializados sem controle rigoroso. Segundo ele, alguns produtos vendidos pela internet prometem melhorar o desempenho físico e sexual, mas podem provocar alterações hormonais significativas e efeitos colaterais importantes.

O especialista reforçou que a automedicação e o uso de substâncias indicadas por terceiros representam riscos à saúde. “Não deve ser usado por conta própria, nem por indicação de vizinhos ou parentes”, alertou.

Ao final, o urologista destacou a importância do acompanhamento médico para qualquer tratamento hormonal, ressaltando que a avaliação individualizada e o monitoramento constante são fundamentais para garantir segurança e eficácia ao paciente.

Entidades reforçam que reposição hormonal deve ter indicação clínica

De acordo com o posicionamento conjunto de entidades médicas brasileiras, como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e a Associação Brasileira para o Estudo da Medicina Sexual (ABEMSS), a reposição hormonal masculina deve ser indicada apenas para pacientes que apresentam sintomas compatíveis com deficiência de testosterona e que tenham a condição confirmada por exames laboratoriais. A avaliação médica especializada é considerada fundamental para garantir um tratamento seguro e eficaz.

As entidades destacam que a terapia com testosterona pode trazer benefícios importantes para homens diagnosticados com hipogonadismo, contribuindo para a melhora da libido, da disposição física, da massa muscular e da qualidade de vida. No entanto, o tratamento exige acompanhamento periódico, com monitoramento clínico e laboratorial para identificar possíveis efeitos adversos e ajustar as doses quando necessário.

O documento também reforça que a reposição hormonal não deve ser utilizada para fins estéticos, ganho de desempenho esportivo ou como estratégia de rejuvenescimento. Segundo as sociedades médicas, o uso indiscriminado da testosterona, sem indicação adequada e sem supervisão profissional, pode expor os pacientes a riscos significativos à saúde, incluindo alterações cardiovasculares, infertilidade e outras complicações relacionadas ao excesso hormonal.