No programa Primeira Hora desta quinta-feira (18), o debate girou em torno de um dos assuntos mais discutidos da saúde atual: a relação entre a cirurgia bariátrica e o uso das populares injeções emagrecedoras. Para esclarecer os mitos e verdades dessa dinâmica, a atração recebeu o Dr. Eduardo Neubarth Trindade, cirurgião e vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS). O especialista desfez a ideia de que a ciência trouxe uma fórmula sem esforços e destacou que os novos medicamentos e o procedimento cirúrgico não disputam espaço, mas sim atuam em conjunto.

Os limites das canetas
Embora reconheça o impacto positivo das inovações farmacológicas na medicina moderna, o Dr. Eduardo Trindade fez um alerta contundente sobre as ilusões de que as agulhas decretaram o fim das operações. Segundo ele, as injeções subcutâneas são atualmente as ferramentas medicamentosas mais efetivas para a perda de peso, porém o sucesso definitivo e as alterações orgânicas mais duradouras continuam pertencendo ao ambiente cirúrgico. “Não façam mais cirurgia bariátrica porque agora as agulhas substituíram a cirurgia bariátrica. Não substituíram. Elas são tratamentos complementares”, explicou o vice-presidente do Cremers.
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Avanços na cirurgia bariátrica
A evolução tecnológica também foi pauta na entrevista, desmistificando o antigo temor popular associado à mesa de operação e contrastando a segurança hospitalar com os perigos do mercado informal de emagrecedores. De acordo com o cirurgião, a bariátrica moderna tornou-se um procedimento altamente seguro e de rápida recuperação, permitindo que, em muitos casos, o paciente passe apenas uma noite no hospital e retorne ao trabalho em menos de uma semana. O real perigo, segundo o médico, mora no uso indiscriminado de canetas sem receita ou adquiridas ilegalmente, que podem sobrecarregar o organismo ou mascarar substâncias desconhecidas.
Mudança na rotina
Por fim, o Dr. Eduardo Trindade defendeu uma mudança profunda na visão que a sociedade tem sobre o paciente que enfrenta a balança, reforçando que o problema deve ser tratado com respeito e seriedade científica. O vice-presidente do Cremers pontuou que o indivíduo obeso não sofre por desleixo, mas por enfrentar uma condição crônica e incapacitante que exige reeducação em longo prazo, começando pela mesa. Ele concluiu sua participação ensinando uma regra de ouro para a nutrição diária e incentivando a prática de atividades físicas para remodelar o paladar. “É melhor se alimentar de alimentos que a pessoa precisa descascar do que desembalar”, finalizou o médico.



