Na manhã desta sexta-feira (19), o programa Primeira Hora recebeu o pneumologista Dr. Marcelo Mallmann para uma entrevista sobre a saúde dos pulmões. Com a chegada do inverno gaúcho e o aumento do movimento em seu consultório, o médico aproveitou o espaço para alertar a população sobre os perigos da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), termo que engloba condições graves como a bronquite crônica e o enfisema pulmonar.

O perigo do subdiagnóstico
Um dos pontos mais alarmantes trazidos pelo médico é o quanto a enfermidade permanece oculta na sociedade devido à falta de informação. Dr. Marcelo destacou dados do estudo Platino, revelando que, embora cerca de 15,8% das pessoas acima de 40 anos em São Paulo apresentassem a doença no exame, menos de 1% conhecia o nome da condição. “O DPOC é uma doença negligenciada porque o paciente acha que a falta de ar ou a tosse é devido à idade, que é normal por estar ficando velho”, explicou o pneumologista, ressaltando o paralelo com doenças silenciosas como a pressão alta.
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Papel da espirometria
Infelizmente, a busca por ajuda médica costuma acontecer apenas em momentos críticos, quando os danos ao sistema respiratório já estão consolidados. Mallmann exemplificou essa realidade com o caso real de um paciente atendido na véspera da entrevista, cujo cansaço se estendia por três anos e que acabou descobrindo estar em estágio avançado. Para mudar esse cenário, o especialista enfatizou que exames tradicionais de imagem não são suficientes para identificar o problema logo no início: “O raio X e a ausculta podem vir normais, mas isso não serve para descartar a doença. Se há suspeita de diabetes, você faz glicemia; se há suspeita de DPOC, tem que fazer a espirometria”.
Como identificar os sinais de alerta
Para o pneumologista, o caminho mais eficiente para a prevenção envolve capacitar médicos das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e conscientizar os grupos de maior risco, que incluem pessoas acima de 40 anos, fumantes, ex-fumantes e indivíduos expostos à fumaça de fogão a lenha. O médico orientou que a população fique atenta a sintomas cotidianos, como cansaço ao caminhar até o mercado ou a clássica “tossezinha do fumante” diária. “Estamos aqui para motivar as pessoas a pensarem sobre a sua saúde”, concluiu Mallmann, incentivando uma postura preventiva antes que ocorram prejuízos irreversíveis aos pulmões.



