Uma fraude milionária e bizarra no interior da Bahia terminou em condenação definitiva pela Justiça. Vanderley dos Santos Gomes, ex-servidor público da cidade de Amélia Rodrigues, foi condenado pelo crime de estelionato após amputar o próprio pé na tentativa de receber indenização R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros de vida. O plano macabro desmoronou quando os peritos criminais encontraram o membro cortado guardado dentro da mochila do próprio suspeito.

O caso, que ocorreu originalmente na zona rural de São Gonçalo dos Campos, transitou em julgado e o homem começou a cumprir a pena. A farsa começou a ser desmantelada pela polícia devido a uma série de contradições inexplicáveis no depoimento da suposta vítima.
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A Farsa do Falso Sequestro e o Pé na Mochila em busca de indenização
Na época do ocorrido, Vanderley acionou a polícia alegando ter sido vítima de um assalto violento seguido de sequestro por dois homens armados em um carro preto. Segundo a versão do servidor, os criminosos teriam roubado R$ 2 mil em espécie, seu relógio e celular, e o levado para uma estrada de terra isolada, onde realizaram a amputação forçada de seu pé.
No entanto, a farsa não resistiu à perícia técnica. A mochila do servidor foi localizada a apenas 350 metros de onde ele foi socorrido. Para a surpresa dos agentes, dentro da bolsa estavam não apenas o celular e o relógio que ele dizia terem sido roubados, mas também o seu próprio pé amputado.
As Inconsistências que Quebraram o Álibi de pedido por indenização
A Vara de Execuções Penais apontou que o crime foi minuciosamente premeditado por motivos financeiros. Entre os pontos cruciais que levaram à condenação do servidor público, destacam-se:
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Premeditação financeira: Vanderley, que tinha um salário reduzido, contratou quatro apólices de seguro de vida simultâneas em empresas diferentes apenas seis semanas antes de “perder” o membro.
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Falta de lógica: Os magistrados consideraram absurda a ideia de sequestradores amputarem o pé de uma vítima sem qualquer pedido de resgate ou histórico de inimigos.
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Amnésia seletiva: O réu demonstrou esquecimento sobre detalhes vitais do crime, não sabendo informar se foi usado um facão, uma foice ou uma serra.
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Corte cirúrgico: Perícias médicas detalhadas comprovaram que a amputação não foi fruto de golpes violentos de um assalto, mas sim realizada por alguém com conhecimentos de técnicas cirúrgicas.
Epidemia de golpes: De acordo com a defesa das seguradoras envolvidas, o mercado brasileiro evitou mais de R$ 1,1 bilhão em prejuízos com fraudes comprovadas somente em 2024, operando com sistemas integrados de inteligência.
Condenação Definitiva
O ex-servidor público tentou recorrer em várias instâncias em busca de indenização e buscou levar o processo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) negou o seguimento do recurso por entender que todas as leis já haviam sido aplicadas corretamente.
Condenado a dois anos de reclusão por estelionato, a pena foi convertida em 720 horas de prestação de serviços à comunidade, além do pagamento de uma prestação pecuniária no valor de R$ 7.590. Como não cabem mais recursos, o início do cumprimento da pena ocorreu em maio deste ano.




