zona sul

Gerente destaca internacionalização do Aeroporto de Pelotas como motor de desenvolvimento

Wesley Puygcerver, gerente do Aeroporto, detalhou os investimentos realizados para adequar o terminal de Pelotas às exigências da Receita Federal

O programa Primeira Hora desta segunda-feira (22) recebeu Wesley Puygcerver, gerente do Aeroporto Internacional de Pelotas, para uma entrevista focada no desenvolvimento e na relevância estratégica dessa infraestrutura para o Rio Grande do Sul. O gestor detalhou os avanços recentes do terminal que, localizado em uma área de 2,7 km² dentro da malha urbana, consolida-se como um vetor fundamental de conexão para a metade sul. Segundo o entrevistado, o aeroporto já alcançou um patamar de destaque no cenário estadual, consolidando-se em termos de transporte de passageiros como “o quarto mais movimentado do estado”, ficando atrás apenas de Porto Alegre, Caxias do Sul e Passo Fundo, aproximando-se da marca de 100 mil usuários.

Aeroporto de Pelotas está internacionalizado
Foto: CCR

Nova estrutura aduaneira

O principal destaque da conversa foi a recente conquista do alfandegamento do sítio aeroportuário, um divisor de águas para a aviação na região. O gerente celebrou o fato de o município agora abrigar “o aeroporto mais ao sul do país que tem a chancela de alfandegamento”. Ele explicou que o processo demandou aportes financeiros expressivos da concessionária para cumprir as exigências fiscais e de segurança, ressaltando que “esse despacho da Receita Federal não veio de graça, nós investimos um bom capital para que isso fosse viável”. Com salas de embarque exclusivas e equipamentos de raio-X instalados, a estrutura já se encontra totalmente apta para dar suporte à aviação geral internacional.

Malha aérea atual

Ao analisar a conectividade de Pelotas com os grandes centros nacionais através das operações da Latam, Gol e Azul, Puygcerver esclareceu os motivos que levaram à interrupção da rota para Campinas, que registrava ocupação expressiva superior a 90% em 2024. O gestor ponderou que a suspensão decorreu de uma reestruturação da companhia parceira pós-recuperação judicial, que precisou centralizar suas aeronaves em hubs. Além disso, ele apontou que fatores geopolíticos externos começaram a impactar a demanda local mais recentemente, explicando que os conflitos no Oriente Médio encareceram a cadeia do petróleo mundial e que, “no fim das contas, o combustível de aviação vai parar no valor da passagem”, o que ajuda a justificar a oscilação recente na compra de bilhetes.

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Potencial logístico

Encerrando a sua participação, o administrador projetou o futuro do terminal no segmento de transportes de mercadorias, explicando que atualmente a movimentação local ocorre apenas por meio das cargas de porão nos aviões comerciais de passageiros, sem uma linha exclusiva “puro sangue” em operação. Ele lembrou, contudo, que a pista possui capacidade técnica amplamente testada, visto que o aeroporto sedia há décadas a missão militar Proatar rumo à Antártica com o cargueiro militar KC-390. Defendendo que o aeroporto atua como um verdadeiro indutor de desenvolvimento econômico e turístico para a Zona Sul, Puygcerver concluiu reforçando a visão de que a estrutura “não é fim, ele é meio”, servindo como uma ferramenta estratégica indispensável para atrair novos negócios e investimentos para o interior.