Na manhã desta segunda-feira (13), o programa Primeira Hora recebeu o presidente do SINDPPEN-RS, Cláudio Dessbessel, para debater os desafios críticos enfrentados pelos policiais penais no Rio Grande do Sul. Durante a entrevista, o dirigente destacou o forte impacto psicológico da rotina de trabalho e defendeu veementemente a manutenção do atual regime de plantões da categoria.

Necessidade de concursos regionalizados
Um dos pontos abordados pelo presidente do sindicato foi a distância geográfica entre o local de moradia dos servidores e as penitenciárias onde são lotados, uma realidade agravada pela falta de critérios territoriais nos processos seletivos do Estado. Dessbessel criticou as justificativas da procuradoria para alterar a jornada, apontando que turnos menores obrigariam os policiais a passar mais tempo transitando pelas rodovias. “As alegações [da procuradoria] dizem maior descanso pro servidor, mas como que um servidor vai descansar com 10 horas de viagem?”, questionou. Como alternativa, ele propôs mudanças na admissão de pessoal, defendendo que “o concurso para a Polícia Penal deveria de ser regionalizado” para evitar o esfacelamento dos vínculos familiares dos policiais.
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Aumento da massa carcerária
A defasagem no quadro de funcionários foi apontada como um fator que sobrecarrega a categoria e coloca em risco a segurança das operações. Segundo o dirigente, a abertura de novas vagas prisionais por parte do governo estadual não tem sido acompanhada por contratações na mesma velocidade em que cresce a população carcerária. “Estamos ainda com um déficit absurdo; o governo, apesar de ter feito um novo concurso, tá abrindo novas unidades prisionais, mas ela é muito aquém do aumento da massa carcerária”, denunciou o líder sindical.
Críticas ao modelo de grandes presídios
Ao encerrar sua participação, Dessbessel direcionou duras críticas à arquitetura das grandes penitenciárias modernas, argumentando que a falta de separação entre presos primários e faccionados fomenta o crime e impede a ressocialização. O sindicalista defendeu investimentos em trabalho e educação dentro das celas para abrir caminhos de reinserção social e reduzir a reincidência. “Tu ensina uma nova profissão pra pessoa; a pessoa tende a uma possibilidade muito maior de não reincidir no crime… e é esse modelo que o governo tem aberto mão quando ele constrói esses presídios novos com grande estrutura porém todos eles faccionados”, lamentou. ]




