Na manhã desta segunda-feira (20), o programa Primeira Hora recebeu a vice-presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Solange Neves, para debater o amadurecimento e a consolidação do setor no país. Durante a entrevista, a dirigente celebrou a safra histórica do Rio Grande do Sul, que atingiu o volume recorde de 1.170.000 litros, consolidando o estado como o principal polo produtor da cultura no Brasil.

Diferencial competitivo do produto gaúcho
O principal trunfo do azeite de oliva brasileiro frente aos concorrentes internacionais reside na agilidade da logística e no frescor do produto que chega ao consumidor. Enquanto as marcas vindas da Europa enfrentam longos processos de transporte e armazenamento que podem levar até dois anos, a produção nacional se destaca pelo dinamismo. Solange Neves detalhou que a excelência do processo resulta em um alimento totalmente puro e saudável, definindo o azeite extravirgem brasileiro de forma simples e direta como “azeitona espremida dentro da garrafa sem nenhum contato humano ou aditivado de produto externo”.
O mercado das fraudes
Apesar dos avanços, o setor convive com um cenário desafiador de pirataria que engana o consumidor nas prateleiras dos supermercados. A convidada fez um alerta contundente sobre a comercialização irregular de óleos de baixíssima qualidade mascarados sob embalagens nobres, lembrando que “o azeite é o segmento mais fraudado… tem muito azeite que tá sendo vendido como extra virgem que é lampante”. O termo técnico citado pela especialista designa um tipo de gordura que, historicamente, era utilizada apenas para acender lamparinas e iluminação, sendo considerada totalmente imprópria para o consumo humano direto caso não passe por processos industriais severos de refinamento.
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O impacto do clima no campo
Solange Neves explicou as razões que tornam o preço do produto nacional mais elevado, citando que o volume brasileiro abastece apenas 1% do consumo interno e enfrenta assimetrias fiscais graves, uma vez que “o azeite importado ganhou uma taxação zero”. Diante disso, ela orientou o público a avaliar o valor nutricional e social contido na embalagem, ressaltando que “esse produto brasileiro tá empregando pessoas que estão indo fazer economia circular do teu supermercado, da tua loja, da tua região”.




