Na manhã desta terça-feira (28), o programa Primeira Hora recebeu a médica psiquiatra Dra. Silzá Tramontina, Conselheira do Cremers e integrante da Câmara Técnica de Psiquiatria, para uma entrevista alarmante sobre o avanço do vício em apostas esportivas e jogos virtuais no Brasil. Durante a conversa, a especialista definiu o cenário atual como uma grave crise de saúde mental que se intensificou após a pandemia, acentuada pela facilidade de acesso proporcionada pelos smartphones.

Mecanismo de perdas
Outro ponto de forte impacto abordado pela psiquiatra foi a armadilha biológica e tecnológica por trás das plataformas digitais, projetadas estruturalmente para garantir o prejuízo financeiro do usuário. A médica alertou que, ao começar a perder dinheiro, o apostador entra em um ciclo vicioso impulsionado pela necessidade desesperada de recuperar os valores perdidos. “Os algoritmos são feitos para as pessoas perderem, não são feitos para as pessoas ganharem”, pontuou a Dra. Silzá.
Propaganda enganosa
Ao analisar a massificação do setor, a especialista teceu duras críticas às estratégias de marketing utilizadas por influenciadores digitais e personalidades do esporte, que promovem uma falsa ilusão de enriquecimento rápido. Comparando a atual investida das empresas de apostas às táticas utilizadas pela indústria do tabaco no passado, a psiquiatra defendeu a intervenção imediata do Estado para conter o avanço desse mercado que movimenta bilhões de reais mensalmente. “Só existe um modo: proibir a propaganda… assim como é proibido de álcool, como é proibido de cigarro”, defendeu com firmeza, lembrando que a facilidade de ter um cassino disponível dentro de casa 24 horas por dia é o grande catalisador da alta de diagnósticos de depressão, ansiedade e até episódios extremos associados ao endividamento.
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Orientação para tratamento
Ao fechar sua participação, a Dra. Silzá reforçou a urgência de que dependentes e familiares que enfrentam o transtorno busquem apoio médico e rompam o isolamento social. A psiquiatra deu um conselho prático para quem precisa encarar a realidade financeira e dar os primeiros passos na recuperação. “A gente tem que escrever, botar no papel o quanto tá devendo para que o cérebro compreenda a gravidade da situação”, orientou a médica ao ressaltar a importância da materialização do problema.



