Após a passagem do ciclone extratropical que provocou fortes ventos e transtornos em diversas regiões do Rio Grande do Sul na quinta-feira (6), o meteorologista Leandro Puchalski, da MetSul Meteorologia, afirmou que o cenário tende a apresentar melhora significativa nos próximos dias, com a chegada de uma massa de ar mais frio e seco ao Estado.

Em entrevista concedida nesta sexta-feira (07), o especialista comentou os temporais severos registrados nas últimas semanas na formação de um ciclone, incluindo a ocorrência de um tornado em Pedro Osório. Segundo Puchalski, embora os tornados não sejam fenômenos raros, eles são pouco frequentes e extremamente difíceis de prever com precisão devido à sua escala reduzida.
O meteorologista explicou que as previsões são realizadas em etapas. Com cerca de 24 horas de antecedência, os modelos conseguem identificar um ambiente atmosférico favorável à formação de tempestades severas. No entanto, apenas uma pequena parcela dessas tempestades evolui para um tornado.
“Cerca de 1% das nuvens associadas ao tempo severo acabam desenvolvendo um tornado. Por isso, a identificação mais precisa ocorre apenas poucas horas antes do evento, quando a tempestade já está formada”, destacou.
Importância dos radares meteorológicos
Durante a entrevista, Puchalski ressaltou que os radares meteorológicos são fundamentais para o monitoramento de curto prazo de tempestades intensas. Segundo ele, esses equipamentos permitem acompanhar a evolução das nuvens e identificar sinais que indicam a possibilidade de formação de tornados, microexplosões e outros fenômenos severos.
O especialista observou que o Rio Grande do Sul ainda possui cobertura limitada de radares meteorológicos, o que dificulta o monitoramento completo das instabilidades que avançam sobre o Estado, muitas vezes oriundas da Argentina e do Uruguai.
Além dos equipamentos, ele enfatizou a necessidade de investimentos em profissionais especializados. Para o meteorologista, a qualificação técnica é tão importante quanto a ampliação da estrutura de monitoramento.
Tempo mais estável após ciclone
Sobre a previsão para a Costa Doce e a região de Camaquã, Puchalski afirmou que o período de maior instabilidade já ficou para trás. O ciclone responsável por influenciar as condições meteorológicas no Sul do Brasil está se afastando rapidamente em direção ao oceano.
Com isso, uma massa de ar frio e seco começa a ingressar no território gaúcho, favorecendo a redução das nuvens e o retorno do sol ao longo do fim de semana.
A expectativa é de temperaturas mais baixas nos próximos dias, especialmente durante as manhãs, mas sem previsão de novos episódios de tempo severo para a região. O cenário predominante será de tempo firme, presença de sol e condições mais estáveis em comparação aos eventos registrados nos últimos dias.
Ao final da entrevista, o meteorologista também manifestou solidariedade aos municípios atingidos pelos temporais, especialmente Dom Feliciano, que registrou danos em estruturas durante a passagem das fortes rajadas de vento.





