O avanço repentino da Lagoa dos Patos acendeu o sinal de alerta nas comunidades ribeirinhas do Litoral Sul gaúcho. Entre a noite de segunda-feira (10) e a manhã de terça-feira (11), os municípios de Rio Grande e São José do Norte registraram marcas acima do limite de segurança após uma subida súbita de mais de 30 centímetros no volume hídrico. Dados do Centro Integrado de Estudos do Oceano (CIEX/FURG) indicam que o cenário pode se agravar com novas altas no nível da água nas próximas horas.

Em Rio Grande, onde o ponto crítico de inundação da Lagoa dos Patos é fixado em 80 centímetros, as réguas de medição saltaram de 70,8 cm nas primeiras horas de segunda-feira para expressivos 109,7 cm no fim da tarde — quase 30 cm acima do limite de transbordamento. Embora as águas tenham apresentado leve recuo no início da manhã de terça-feira, a instabilidade persiste na região.
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Combinação de fatores explica o fenômeno na Lagoa dos Patos
A elevação acelerada é fruto do efeito combinado entre a vazão dos rios que descem da Região Metropolitana e do Vale do Caí com a forte atuação dos ventos do quadrante sul.
Segundo o secretário-executivo da Defesa Civil de Rio Grande, Anderson Montiel, o fluxo vindo de afluentes do Lago Guaíba afunila na barra ao encontrar rajadas vindas de sul, sudeste e sudoeste. Esse bloqueio natural dificulta o escoamento para o oceano, resultando no empilhamento da água e na invasão das áreas urbanas baixas. Moradores de bairros como o Navegantes relatam o retorno do efluente pelas tubulações residenciais e mantêm móveis suspensos por precaução.
As projeções oficiais do CIEX/FURG indicam pico iminente de até 126 centímetros em Rio Grande e 125 centímetros em São José do Norte — marca que supera em até 46 centímetros o nível de transbordamento.
Em resposta à ameaça, a Prefeitura de Rio Grande estruturou um plano de contingência preventivo, mapeando seis pontos para abrigar famílias e equipes municipais em prontidão para remoções emergenciais. Em São José do Norte, o nível atingiu 111,8 cm antes de recuar temporariamente, mantendo a travessia de lanchas operacional, embora sob monitoramento do cais. Em São Lourenço do Sul, a lagoa dos patos subiu cerca de 25 cm, mas ainda se mantém abaixo da cota de alerta.
A Defesa Civil orienta os moradores de áreas de risco a acompanhar boletins e acionar o suporte de emergência pelo telefone 199 em caso de ameaça às residências.



