Na manhã desta segunda-feira (17), o programa Primeira Hora deu destaque às ações do Agosto Lilás com um painel de conscientização sobre o combate à violência contra a mulher. A conversa na Rádio Acústica FM reuniu o secretário municipal de Desenvolvimento Social de Camaquã, Fabiano Ribeiro, a advogada Roberta Magalhães e a psicóloga Renata Maines, em um debate focado na urgência de novas abordagens preventivas e na reeducação masculina.

Eficácia da Lei Maria da Penha
Completando duas décadas de vigência, a Lei Maria da Penha foi analisada pela advogada Roberta Magalhães, que destacou a abrangência do texto legal na proteção do público feminino, cobrindo também abusos psicológicos e patrimoniais. A especialista enfatizou que a redução da mortalidade passa diretamente pela denúncia formal e pela superação da cultura do machismo nas futuras gerações. “Enquanto a gente não tiver a consciência de que a mulher deixou de ser uma propriedade do homem, a gente não vai avançar”, pontuou a advogada. Ela ressaltou que a medida protetiva salva vidas na prática, citando dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul referente aos casos do ano anterior, em que a imensa maioria das vítimas de feminicídio não possuía a proteção judicial ativa antes do crime.
Raízes psicológicas, criação sem limites e o ciclo do abuso
Sob a perspectiva comportamental, a psicóloga Renata Maines explicou que a conduta agressiva muitas vezes é alimentada pela incapacidade de gerenciar frustrações e pela falta de limites desde a infância. Renata alertou para a evolução gradual do ciclo de abusos, ressaltando que agressões físicas costumam ser precedidas por comportamentos manipuladores e velados. “Um homem que pratica a violência é um homem sem limites. Essas crianças que estamos criando sem limites são possivelmente agressores na vida adulta porque não vão saber lidar com a frustração”, explicou a profissional ao frisar a importância da educação familiar. O painel destacou ainda que o crescimento das estatísticas oficiais reflete a diminuição da subnotificação, já que mais vítimas encontram apoio e encorajamento para quebrar o silêncio e expor o agressor.
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Rede de apoio em Camaquã
Os convidados reforçaram a estrutura de suporte e os mecanismos de denúncia disponíveis no município de Camaquã. O secretário Fabiano Ribeiro lembrou que o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) oferece escuta qualificada e orientação às mulheres antes mesmo da formalização do boletim de ocorrência, auxiliando na quebra do vínculo de dependência. A advogada Roberta Magalhães comemorou os avanços na acolhida local, ressaltando o atendimento humanizado realizado por policiais femininas na delegacia para evitar constrangimentos às vítimas. A população pode buscar apoio, informações ou orientações diretamente com a rede de proteção municipal através do telefone e WhatsApp (51) 99555-7269.




