Clima

El Niño: dois furacões e uma tempestade avançam juntos

Cenário é considerado incomum pelos meteorologistas

Um cenário considerado incomum chamou a atenção de meteorologistas no Oceano Pacífico: dois furacões e uma tempestade tropical avançavam praticamente ao mesmo tempo pela região, em meio às condições favoráveis criadas pelo forte episódio de El Niño registrado neste ano.

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O furacão Lowell chegou à categoria 5, a mais elevada na escala de intensidade, enquanto seguia em direção ao oeste. Logo atrás estava Karina, classificado como furacão de categoria 4. Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), os dois sistemas deveriam permanecer afastados da costa do Havaí.

Apesar da distância, os efeitos indiretos poderiam ser sentidos no arquipélago. O NHC alertou que as ondas associadas ao Lowell poderiam se deslocar para o norte e atingir algumas áreas do Havaí nos dias seguintes, elevando o risco de condições perigosas no litoral.

Na mesma região do Pacífico, a tempestade tropical Marie ganhava força a centenas de quilômetros da costa do México. A previsão indicava possibilidade de que o sistema também alcançasse a categoria de furacão.

El Niño favorece formação de tempestades no Pacífico e furacões

Para especialistas, a ocorrência simultânea de três sistemas tropicais, incluindo furacões chama atenção justamente pela combinação das condições atmosféricas e oceânicas observadas neste ano.

A climatologista Julia Cole, da Universidade de Michigan, explicou que o aquecimento provocado pelo El Niño contribui para criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de tempestades tropicais. As águas mais quentes funcionam como uma importante fonte de energia para esses sistemas.

A presença de três tempestades em sequência no Pacífico é considerada um evento pouco comum de ser observado, segundo a especialista.

El Niño deste ano pode entrar para a história

Além da atividade de tempestades, a intensidade do fenômeno climático também desperta preocupação entre pesquisadores. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), havia 69% de probabilidade de o episódio de El Niño daquele ano se tornar o mais intenso já registrado.

O fenômeno ocorre de forma irregular, geralmente em intervalos de dois a sete anos. Ele está relacionado ao enfraquecimento temporário dos ventos alísios, correntes atmosféricas que normalmente ajudam a manter as águas mais quentes concentradas no oeste do Oceano Pacífico.

Quando esses ventos perdem força, uma quantidade maior de água quente pode se deslocar em direção ao leste e chegar à superfície. O resultado é uma elevação persistente das temperaturas do oceano, capaz de alterar a formação de tempestades e modificar padrões atmosféricos em diferentes partes do planeta.

Por que o aquecimento do Pacífico preocupa?

A influência do El Niño não fica restrita ao Oceano Pacífico. Alterações na temperatura da superfície do mar podem interferir na circulação atmosférica e modificar padrões de chuva, temperatura e ocorrência de eventos extremos em várias regiões do mundo.

A combinação entre um oceano excepcionalmente quente e condições atmosféricas favoráveis ajuda a explicar por que a temporada chamou a atenção dos especialistas.

O surgimento quase simultâneo de Lowell, Karina e Marie, portanto, representa mais um sinal da intensa atividade meteorológica associada às condições oceânicas observadas durante este episódio de El Niño.

El Niño histórico gera passagem simultânea de furacões e tempestade tropical no Pacífico

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