Na manhã desta terça-feira (08), o programa Primeira Hora recebeu a especialista Dra. Luciana Pereira da Costa para uma entrevista sobre os impactos da reforma tributária no imposto sobre heranças e doações. Durante o debate, a convidada alertou sobre as mudanças na alíquota do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), que passa a ser obrigatoriamente progressiva em todo o país. Segundo a advogada, os governos costumam utilizar exemplos internacionais para elevar a carga tributária nacional, havendo inclusive propostas legislativas para aumentar o teto da alíquota dos atuais 8% para patamares de até 16% ou 20%.

O elevado impacto financeiro do inventário tradicional
Alternativas para pequenos patrimônios
Muitos fundadores hesitam em realizar a divisão dos bens em vida por receio de perder o controle de suas conquistas ou de verem o patrimônio atingido por casamentos de filhos e dívidas de terceiros. A especialista explicou que o ordenamento jurídico dispõe de instrumentos eficazes para proteger os doadores, como a reserva de usufruto vitalício, as cotas de administração permanente e cláusulas de incomunicabilidade, impenhorabilidade e reversão. Além disso, para famílias com patrimônios menores — como um único imóvel de R$ 500 mil —, a criação de uma pessoa jurídica pode ser inviável devido aos custos fixos de manutenção contábil; nesses casos, a doação direta com reserva de usufruto resolve a questão de forma simples. Conforme ressaltou a Dra. Luciana: “Existem diversas cláusulas jurídicas que garantem a segurança do fundador […]. Essas ferramentas trazem tranquilidade tanto para os fundadores quanto para os sucessores, pois todos sabem exatamente o que vai acontecer.”
Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!
Risco de paralisia operacional no agronegócio
No setor do agronegócio e em empresas familiares, a ausência de um planejamento sucessório prévio pode gerar prejuízos irreversíveis imediatamente após a morte do titular. Sem a indicação de um administrador substituto prevista em contrato social, a emissão de notas fiscais de produtor rural é interrompida e os saldos bancários ficam bloqueados, dependendo de autorização judicial para pagamentos básicos. Essa paralisia em momentos cruciais do calendário agrícola pode impedir a aquisição de insumos para a lavoura e provocar a perda total de uma safra. Noutra ponta, quando os herdeiros não têm vocação para dar continuidade aos negócios da família, a estruturação prévia possibilita organizar a venda estratégica e valorizada da empresa ainda em vida, evitando liquidações forçadas a preços aviltados em momentos de crise.




