Funcionários da Caixa Econômica Federal iniciam, nesta quinta-feira (10), uma greve nacional por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada por ampla maioria em assembleias da categoria realizadas na última semana e ocorre após os trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pelo banco para alterações no Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados.

O principal ponto de conflito envolve mudanças nas regras de contribuição e nas cobranças do plano de saúde. Pela proposta da Caixa, aposentados e pensionistas passariam a destinar 4,5% da remuneração ao Saúde Caixa, ante os atuais 3,5%. O teto de comprometimento da renda familiar com o plano também subiria de 7% para 9%, enquanto permaneceria a cobrança de 13 mensalidades ao ano.
Outra alteração prevista é o aumento do valor cobrado por dependente, que passaria de R$ 480 para R$ 660. Os trabalhadores também contestam a possibilidade de adoção de um modelo de cobrança diferenciado conforme a idade dos beneficiários. Para o Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, as mudanças podem ampliar o impacto financeiro sobre empregados e familiares.
“A rejeição massiva tem o Saúde Caixa como ponto central. O banco quer impor um modelo de cobrança diferenciado por idade para os empregados e seus dependentes, punindo quem mais precisa e onerando o trabalhador. Nossa prioridade absoluta é garantir uma solução justa, que barre esse retrocesso e impeça novos impactos financeiros sobre a renda das famílias”, afirmou o diretor do Sindicato dos Bancários do DF, Rhafael Torres.
A proposta em discussão também prevê reajustes nas cobranças relacionadas ao atendimento em pronto-socorro. O valor pago por consulta subiria de R$ 75 para R$ 150, enquanto o limite anual de despesas da família passaria de R$ 3.600 para R$ 4.800. Dependentes indiretos ficariam fora desse teto, e todos os usuários teriam uma cobrança mínima de R$ 50.
Além das mudanças no plano de saúde, a mobilização dos bancários reúne outras reivindicações. A categoria pede alterações nos critérios de promoção, direito à desconexão, possibilidade de venda de dez dias de férias e medidas específicas para trabalhadores com deficiência. Também estão entre as demandas ações voltadas à saúde e à diversidade, ampliação das ausências permitidas e aumento da rede credenciada do Saúde Caixa.
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Negociação entre Caixa e Contraf contra a greve
Em meio à deflagração da greve, a Caixa convocou uma reunião com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) para esta quarta-feira (9). O encontro foi marcado para discutir o impasse envolvendo o Saúde Caixa e as demais reivindicações apresentadas pelos representantes dos empregados.
Para os sindicatos, a paralisação nacional é uma forma de aumentar a pressão durante as negociações com a direção do banco. A expectativa da categoria é de que uma nova proposta seja apresentada e permita avanços nas discussões sobre o plano de saúde, as condições de trabalho e outros pontos da pauta dos funcionários.
Em nota, os representantes dos bancários defenderam a greve como instrumento para fortalecer as negociações. Segundo o sindicato, a participação dos trabalhadores será decisiva para pressionar a Caixa por uma proposta que atenda às reivindicações da categoria.




