Energia Elétrica

Morador sem luz há 60 horas protesta na CEEE Equatorial em Camaquã

No quadro Acústica nos Bairros, um morador do Assentamento Boa Vista relata o drama com familiar acamado e falta de luz após desligamento de chave na rede

Na manhã desta quarta-feira (23), o quadro Acústica nos Bairros da Rádio Acústica FM esteve em frente à sede da CEEE Grupo Equatorial, para acompanhar a mobilização de moradores da zona rural de Camaquã atingidos pelo desabastecimento de energia elétrica. As famílias do Assentamento Boa Vista enfrentam a falta de luz desde a madrugada da última segunda-feira, somando quase 60 horas de interrupção do serviço. Além do comprometimento das estufas de secagem de fumo e do risco de perdas na produção agrícola local, o desabastecimento afeta diretamente o abastecimento de água e a assistência a moradores com limitações de saúde. “Já vai para três dias sem água e sem luz. Como se faz com uma pessoa acamada para dar banho e cuidar das necessidades na fralda? Dizem apenas que está em manutenção, mas ao percorrer a rede não se encontra uma caminhonete dando auxílio”, protestou o morador Rafael de Oliveira.

Morador sem luz há 60 horas protesta na CEEE Equatorial em Camaquã
Foto: VAlério Weege

Desarme de chave trifásica atinge 50 famílias no interior do município

Conforme o relato do morador, o desabastecimento na região do Assentamento Boa Vista não foi causado por postes ou cabos partidos na extensão visível da rede elétrica. A causa do apagão seria o desarme de uma chave trifásica localizada após as instalações da Camil, a aproximadamente 14 quilômetros do perímetro urbano, cuja religação restabeleceria imediatamente o fornecimento para cerca de 50 famílias da localidade. Rafael explicou que percorreu pessoalmente a extensão do trajeto até a portaria da Fazenda Helmute e constatou que nenhuma equipe técnica da concessionária esteve no local para inspecionar o ponto ou efetuar a religação.

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Prejuízos na produção familiar 

Além dos transtornos operacionais e sanitários diários, a falta contínua de energia elétrica já provoca a perda de alimentos armazenados em geladeiras e freezers da comunidade. O morador ressaltou a dificuldade que os produtores rurais encontram para solicitar o ressarcimento dos prejuízos junto à concessionária, uma vez que o processo administrativo exige a comprovação do valor dos insumos por meio de notas fiscais impressas. Essa exigência contábil contrasta com a realidade da subsistência no campo, onde o abate de animais e a troca de produtos ocorrem de forma direta entre vizinhos. “Uma vez tentei entrar com ação na CEEE e exigiram nota fiscal. Mas como um produtor rural vai ter nota fiscal de um porco ou galinha que abate, ou de uma peça de gado comprada do vizinho? Sem nota fiscal para comprovar o valor, é tudo perdido”, desabafou durante a reportagem.

Espera por atendimento na concessionária 

Aguardando atendimento presencial no escritório da CEEE Equatorial em Camaquã ,  moradores buscaram registrar a urgência da situação e solicitar o envio imediato de uma equipe técnica ao Assentamento Boa Vista. Os atingidos argumentam que, embora o temporal recente tenha provocado estragos em diversos pontos do município, a solução para o setor onde residem depende de uma intervenção simples e de execução rápida.