Na manhã desta sexta-feira (02), o programa Primeira Hora recebeu nos estúdios da Rádio Acústica FM o pneumologista Dr. Marcelo Mallmann para uma conversa esclarecedora sobre saúde respiratória, diagnósticos de urgência e uso consciente de medicamentos. Durante a entrevista conduzida pelo apresentador Fábio, o especialista abordou os mitos que cercam a “pneumonia silenciosa”, esclarecendo que o termo é apenas uma expressão popular sem respaldo na literatura médica. Segundo o médico, a dor no peito só se manifesta quando a infecção atinge a pleura visceral, enquanto quadros centrais ou não consolidativos podem passar sem dor pontual. A suspeita clínica inicial depende fundamentalmente da ausculta pulmonar atenta feita pelo profissional de saúde ao comparar os ruídos entre os dois lados do tórax, que frequentemente evoluem a partir do agravamento de resfriados ou gripes prévias acompanhadas de febre alta e falta de ar.

Falhas na interpretação de exames
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Prescrição excessiva de corticoides, antibióticos e pressão na pediatria
As consequências diretas desses equívocos refletem-se no consumo desenfreado de fármacos, um fenômeno visível no Rio Grande do Sul, onde duas das maiores empresas em faturamento são redes de farmácias. O médico enfatizou que o consenso da Sociedade Europeia de Pneumologia preconiza indicação zero de corticoides (como prednisona, prednisolona e dexametasona) em pneumonias ordinárias, restringindo seu uso a casos gravíssimos em UTI. Além disso, destacou a forte pressão de pais por antibióticos em emergências pediátricas diante de febres recentes de 24 a 48 horas, ignorando que a grande maioria das infecções infantis no inverno possui origem estritamente viral e não responde a antimicrobianos. “Segundo o consenso da Sociedade Europeia de Pneumologia, corticoides têm indicação zero em pneumonias ordinárias”, pontuou o médico ao defender uma postura mais criteriosa nas prescrições urgentes.



