Na manhã desta terça-feira (06), o programa Primeira Hora recebeu a Comandante Nádia (PL), uma das primeiras oficiais femininas da Brigada Militar e figura atuante na política gaúcha, para debater as urgências da segurança pública e a conjuntura política no Rio Grande do Sul. Durante a entrevista, a convidada relembrou sua trajetória corporativa iniciada na turma de 1989 e enfatizou a evolução institucional na inclusão das mulheres nas forças de segurança, ressaltando que a atuação integrada entre homens e mulheres fortalece a proteção da sociedade.

Propostas de endurecimento no sistema prisional
O ponto central do debate foi o diagnóstico do efetivo policial no Estado, onde a entrevistada apontou uma queda expressiva em comparação a décadas anteriores, destacando que a Brigada Militar opera atualmente com cerca de 17 mil agentes fardados frente aos mais de 33 mil registrados em 1989. Defendendo que a segurança pública precisa ser tratada como prioridade absoluta pelo governo ao lado da saúde e da educação, a Comandante Nádia propôs uma reformulação profunda na legislação penal brasileira e na rotina das penitenciárias. Em sua avaliação, o cumprimento integral das penas e a eliminação de regalias são medidas indispensáveis para coibir a impunidade e sufocar o crescimento do crime organizado no país. “O criminoso tem que ser acuado, tem que ser preso e cumprir a sua totalidade da pena. O preso tem que trabalhar para pagar a comida que ele come, não somos nós, pessoas de bem, que temos que pagar pelo erro que eles cometeram. Presídio para mim não é motel, tem que acabar para ontem com a visita íntima e não tem que ter nenhuma saidinha”, pontuou com firmeza durante a transmissão.
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Redução da maioridade penal
A convidada também alertou para a vulnerabilidade dos adolescentes frente ao aliciamento promovido por grupos criminosos, posicionando-se favoravelmente à redução da maioridade penal para 16 anos como forma de combater a sensação de impunidade entre os jovens. Segundo a oficial da reserva, a falta de punição severa faz com que menores de idade sejam instrumentalizados para a prática de delitos graves sem que haja a devida responsabilização perante a lei. Nádia reforçou que a legislação precisa acompanhar a realidade social contemporânea para proteger tanto as famílias quanto os próprios jovens que acabam cooptados pelo tráfico. ” O guri de 16 anos tem que estar respondendo pelo crime que cometeu”, enfatizou.
Críticas ao Centrão
Ao abordar o cenário político estadual e nacional, a Comandante Nádia rebateu a visão de que a polarização seja um elemento prejudicial ao debate público, argumentando que posições claras ajudam o eleitorado a diferenciar projetos e valores de governo. Em contrapartida, fez duras críticas à atuação do chamado Centrão, classificando a neutralidade fisiológica como um obstáculo ao avanço das reformas estruturais que o país necessita. A entrevistada destacou ainda o trabalho que vem desenvolvendo em parceria com o deputado federal Luciano Zucco na elaboração de um plano estratégico focado no combate à criminalidade e no fortalecimento das forças policiais no Rio Grande do Sul. “Nós temos que começar a reverter essa fala de que a polarização é ruim, ela não é ruim. O custo Brasil é o Centrão, pois quem está no centro não está do lado de ninguém, está do lado que mais lhe convém”, concluiu.



