SAÚDE

Primavera aumenta alergias oculares; oftalmologista alerta para riscos de coçar os olhos

Médico destaca sintomas, formas de prevenção e alerta para o risco de desenvolvimento do ceratocone

A chegada da primavera exige atenção redobrada com a saúde dos olhos. Em entrevista concedida nesta quinta-feira (08), ao programa da Rádio Acústica FM, o oftalmologista Otavio Dvogeski explicou que o aumento da circulação de pólen no ambiente durante esta época do ano favorece o surgimento de alergias oculares, especialmente em pessoas predispostas a reações alérgicas.

Primavera aumenta alergias oculares; oftalmologista alerta para riscos de coçar os olhos
Foto: Reprodução

Segundo o médico, o pólen liberado pelas plantas funciona como um alérgeno e pode desencadear sintomas como vermelhidão, lacrimejamento, inchaço das pálpebras e, principalmente, coceira nos olhos. Além do pólen, fatores como mofo, ácaros, poeira e até produtos de maquiagem também podem contribuir para o aparecimento de irritações oculares.

Dvogeski destacou que muitas pessoas confundem alergia ocular com conjuntivite infecciosa. Conforme explicou, os quadros alérgicos costumam provocar intensa coceira e pouca secreção, enquanto as infecções geralmente apresentam secreção mais abundante e podem ser transmitidas para outras pessoas. Em alguns casos, no entanto, a avaliação médica é necessária para confirmar o diagnóstico.

O oftalmologista também alertou para os riscos de não tratar adequadamente as alergias. Em situações mais graves, a inflamação pode provocar lesões na córnea. Já o hábito frequente de coçar os olhos pode favorecer o desenvolvimento do ceratocone, doença que altera o formato da córnea e pode comprometer a visão.

“Pais e responsáveis devem observar crianças e adolescentes que apresentam o hábito constante de coçar os olhos. O ceratocone costuma se desenvolver principalmente entre os 10 e 20 anos de idade e, quando não tratado, pode evoluir para situações que exigem até transplante de córnea”, ressaltou o especialista.

Entre as orientações para aliviar os sintomas, Dvogeski recomendou o uso de colírios lubrificantes indicados por profissionais, compressas frias sobre os olhos fechados e cuidados com a higiene da região ocular. Ele também alertou para a necessidade de manter a limpeza adequada de lentes de contato e respeitar os prazos de troca dos materiais.

Durante a entrevista, o médico ainda esclareceu que o lacrimejamento excessivo nem sempre significa excesso de umidade nos olhos. Em muitos casos, o sintoma pode estar relacionado à síndrome do olho seco, situação em que o organismo produz mais lágrimas para compensar alterações no filme lacrimal.

Ao final da conversa, o oftalmologista reforçou a importância de procurar avaliação especializada diante de sintomas persistentes ou intensos, especialmente quando há coceira frequente, vermelhidão ou alterações visuais.

Confira a fala do oftalmologista Otavio Dvogeski

Tags: doenças, oftalmologista