POLÍCIA

Jovem relata que ex mostrou em chamada de vídeo assassinatos do pai e do irmão em Chuvisca

Suspeito foi preso após os crimes; ex-companheira relatou ameaças anteriores e teme pela própria segurança

Uma jovem de 22 anos relatou ter recebido uma chamada de vídeo do ex-companheiro, suspeito de matar o pai e o irmão dela, em Chuvisca, na região Sul do Rio Grande do Sul. Segundo Kelly Klug Klumb, o homem entrou em contato horas após o crime para mostrar o que havia feito. Arnildo Schmegel Klumb, de 56 anos, e Davi Artur Klug Klumb, de 17, foram mortos a tiros na localidade de São Brás, na zona rural do município.

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Os assassinatos ocorreram na madrugada da última sexta-feira (9). Conforme o relato da jovem à GZH, ela havia recusado uma ligação do ex-companheiro pouco depois da meia-noite. Horas mais tarde, recebeu um pedido de ajuda da tia do suspeito, que tentava convencê-la a entrar em contato com ele, pois estaria em frente à residência do ex-sogro.

Por volta das 4h, Kelly ligou para o ex-companheiro. Na ocasião, ele teria feito uma chamada de vídeo para mostrar as consequências do crime.

“Ele fez uma chamada de vídeo para mostrar o que tinha feito com meu irmão e meu pai. Mostrou o carro e a arma ensanguentada. Eu não conseguia acreditar”, relatou a jovem.

O suspeito, de 29 anos, foi preso no mesmo dia. A Polícia Civil investiga o caso como vicaricídio, hipótese considerada quando uma pessoa mata familiares ou pessoas próximas de uma mulher com o objetivo de atingi-la emocionalmente, puni-la ou exercer controle sobre ela.

Relacionamento havia terminado um mês antes

Kelly e o suspeito mantiveram um relacionamento por quase seis anos, encerrado cerca de um mês antes dos assassinatos. Segundo a jovem, ela decidiu deixar a residência onde vivia com o então namorado em razão do comportamento possessivo, ciumento e agressivo dele.

A vítima relatou que, após o término, passou a ser alvo de ameaças e tentativas de contato. Como havia bloqueado o ex-companheiro nas redes sociais e deixado de atender às ligações, ele teria ido, três dias antes do crime, até um Centro de Formação de Condutores (CFC) para ameaçar o instrutor com quem ela tinha contato.

De acordo com Kelly, o homem chegou a escrever que algo ruim aconteceria caso os dois não reatassem o relacionamento. Ela também afirmou que sofria chantagens durante a relação, marcada por conflitos.

Após perder o pai e o irmão, a jovem permanece na companhia da mãe e afirma temer pela própria segurança. Segundo o relato, o suspeito também teria dito que não matou a mulher para quem Kelly trabalhava porque ela passou rapidamente de carro por ele em uma estrada.

A jovem ainda relatou que a arma utilizada nos assassinatos teria sido furtada do pai do suspeito. Depois do crime, o homem também teria roubado o carro do pai dela.

Polícia investiga caso como vicaricídio em Chuvisca

A investigação é conduzida pela delegada regional Vivian Sander Duarte. A Polícia Civil apura a hipótese de que os assassinatos tenham sido cometidos com a intenção de atingir a ex-companheira do suspeito.

O vicaricídio foi tipificado como crime no Brasil em abril de 2026. A legislação prevê punição para quem mata familiares, dependentes, enteados ou pessoas sob a guarda ou responsabilidade direta de uma mulher com a finalidade específica de provocar sofrimento, puni-la ou exercer controle sobre ela, no contexto de violência doméstica e familiar.

A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão, e o crime é classificado como hediondo.

Tags: assasinato, Chuvisca, vicaricídio