A Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) vê com preocupação a recente queda do preço-referência do leite. Neste sentido, teme que o movimento se acentue nos próximos meses.

Para o presidente da entidade, Marcos Tang, o cenário é especialmente delicado diante da possibilidade de aumento dos custos de produção provocado pelas dificuldades para formação de pastagens e produção de alimentos para o rebanho. “Estamos preocupados com a baixa recente no preço-referência demonstrado no Conseleite. Tínhamos a expectativa de uma certa estabilidade do preço do leite até o fim do ano e esperamos que não haja uma queda substancial”, afirma Tang.
Segundo o dirigente, o produtor de leite vem enfrentando uma sequência de dificuldades nos últimos anos, marcada por períodos de estiagem e enchentes. Agora, as chuvas excessivas voltam a trazer problemas para o planejamento da atividade, principalmente no preparo das lavouras e na produção de milho para silagem e de feno. “O excesso de chuva dificulta o trabalho das máquinas, atrasa o plantio do milho e aumenta a dificuldade para a produção de silagem e feno. Estamos falando, portanto, de um possível aumento do custo de produção por litro de leite”, explica.
A preocupação, segundo Tang, é que uma eventual elevação das despesas ocorra simultaneamente a uma nova redução do valor recebido pelo produtor. O presidente da Gadolando ressalta que a atividade exige investimentos permanentes em tecnologia, genética e estrutura, com retorno de longo prazo. “Se o aumento do custo de produção vier associado à queda do preço pago ao produtor, novamente estaremos diante de uma situação de dificuldade. O produtor precisa pagar seus investimentos e continuar investindo em melhoramento tecnológico e genético”, afirma.
Tang destaca ainda que a pecuária leiteira não permite decisões de curto prazo. A formação de um rebanho exige tempo e recursos, o que torna especialmente difícil a retomada da atividade por produtores que abandonam a produção. “Uma terneira precisa ser muito bem criada durante pelo menos dois anos para começar a dar retorno em produção de leite. Por isso, a propriedade precisa ser estruturada no médio e longo prazo. Quando um produtor sai da atividade e vende seu rebanho, é muito difícil voltar, porque não se constitui um rebanho de um dia para o outro e comprar todo um rebanho novamente pode ter um custo proibitivo”, observa.
Apesar da queda recente, o presidente da Gadolando avalia que há sinais no mercado internacional que permitem algum otimismo em relação à possibilidade de estabilidade dos preços. Para ele, um cenário de menor volatilidade seria importante para que os produtores possam manter o planejamento da atividade. “Alguns movimentos no mercado mundial mostram que pode haver uma estabilidade internacional, o que seria algo muito interessante para o produtor”, diz.
Outro ponto de preocupação para a entidade é o ingresso de produtos lácteos importados no mercado brasileiro. Tang volta a cobrar medidas do governo federal em relação ao que considera uma concorrência desleal com a produção nacional. “Lamentamos e ressaltamos novamente a importação desenfreada e seguimos esperando uma atitude do governo em relação ao dumping que foi comprovado. Até agora, não houve uma medida antidumping”, afirma. Para a Gadolando, a combinação entre preços remuneradores, controle das importações e condições adequadas para produção de alimentos é fundamental para garantir a permanência dos produtores na atividade e a continuidade dos investimentos na cadeia leiteira.
Fonte: AgroEff





