economia

Escala 5×2 deve elevar custos de supermercados em 17%, alerta especialista

O empresário e presidente da AGAS Lindonor Peruzzo Jr. analisa o impacto financeiro do novo modelo de jornada no varejo alimentício e antecipa desafios na gestão de equipes

Na manhã desta terça-feira (20), o programa Primeira Hora recebeu o empresário presidente da AGAS Lindonor Peruzzo Jr. para discutir as transformações operacionais e os reflexos econômicos decorrentes da transição para a escala de trabalho 5×2. O convidado ressaltou que a adaptação a esse modelo deve provocar uma elevação nos custos de custeio das empresas no período inicial, gerando forte pressão sobre o planejamento financeiro dos estabelecimentos. Lindonor chamou a atenção para o teto legal de jornada diária, explicando que a impossibilidade de estender os turnos além de oito horas sem a incidência de horas extras exigirá contratações adicionais ou a revisão drástica das rotinas de atendimento.

Escala 5x2 deve elevar custos de supermercados em 17%, alerta especialista
Foto: Reprodução

Debate sobre fechamento aos domingos e escassez de equipe

Ao abordar as alternativas em estudo pelo varejo alimentício para absorver o novo formato de escala, o convidado revelou que as entidades do setor voltaram a debater o encerramento do funcionamento das lojas aos domingos e a redução da carga horária de atendimento durante os dias úteis. A medida é impulsionada não apenas pelo aumento nas despesas operacionais, mas também pela severa escassez de mão de obra disponível na região para recompor as equipes necessárias. Lindonor enfatizou que a legislação veda o cumprimento de jornada no dia de folga do colaborador, impossibilitando arranjos flexíveis dentro da mesma estrutura funcional. “A questão do fechamento aos domingos voltou para a discussão, assim como o horário de abertura e fechamento das lojas. Em muitas localidades vai se fechar aos domingos com certeza, primeiro porque não tem mão de obra e segundo porque o custo aumenta muito. A hora extra no dia de folga é impossível, não pode, então são só cinco dias que o funcionário pode trabalhar“, explicou o empresário na Rádio Acústica FM.

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Perda de conveniência para o cliente, repasse inflacionário e migração de consumo

Tratando dos efeitos diretos no cotidiano da população, o especialista ponderou que o enxugamento nos horários dos grandes mercados reduzirá a conveniência de compras do consumidor e provocará reflexos nos preços finais das mercadorias como forma de compensar a alta dos custos fixos. Por outro lado, estabelecimentos de menor porte com estrutura familiar — como padarias, farmácias, lojas de conveniência — e plataformas de e-commerce devem ganhar espaço e absorver a fatia de mercado perdida pelos grandes varejistas. “A conveniência do consumidor vai ser menor e o poder de compra do trabalhador vai ser menor, porque esse dia a menos de operação vai causar uma inflação em todos os produtos. Farmácias, conveniências, padarias familiares e o e-commerce vão ser os grandes beneficiados com isso, e certamente nós perderemos parte da fatia do nosso share para eles”, apontou o convidado.

Capacitação do setor, eventos da AGAS e orientação a gestores

Lindonor Peruzzo ressaltou o papel desempenhado pela Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS) na promoção de encontros técnicos e seminários para guiar os empresários e contadores do Estado durante o período de adaptação legislativa. O dirigente convidou o público e os profissionais do ramo para participarem do próximo webinar focado nos aspectos jurídicos da jornada de trabalho e lembrou da realização da Feira do Litoral, agendada para o final do mês. “Realizaremos o nosso webinar a respeito disso para conseguirmos adaptar o nosso negócio da melhor forma possível a essa realidade. A orientação e o planejamento coletivo são os caminhos para preservar as empresas e os empregos no Rio Grande do Sul”, finalizou a liderança empresarial na Rádio Acústica FM.