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“Banco gosta de emprestar dinheiro para quem não precisa”, critica Paulo Pimenta sobre crédito agrícola

Pimenta, que é relator da Medida Provisória 1.376/2026, defende a desburocratização e a ampliação do enquadramento para produtores rurais renegociarem suas dívidas

Na manhã desta terça-feira (27), o programa Primeira Hora recebeu o deputado federal Paulo Pimenta (PT) para analisar os desdobramentos dos resultados eleitorais e as diretrizes do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante a entrevista, o parlamentar expressou profunda gratidão pela expressiva votação obtida no Rio Grande do Sul — superando 1,8 milhão de votos na chapa presidencial no estado —, destacando que o momento exige um esforço coletivo para superar a polarização e combater atos de intolerância e boicotes por divergências políticas. Pimenta defendeu o resgate da convivência democrática e ressaltou que a transição de governo deve focar na união do país.

"Banco gosta de emprestar dinheiro para quem não precisa", critica Paulo Pimenta sobre crédito agrícola
Foto: Alice Campos

Renegociação da dívida agrícola 

Na condição de relator da Medida Provisória voltada ao setor agropecuário, o deputado abordou a necessidade urgente de desburocratizar o acesso ao crédito e ampliar o enquadramento de produtores rurais afetados por adversidades climáticas e econômicas. Paulo Pimenta fez duras críticas à postura rígida das instituições financeiras, pontuando que o texto de seu relatório busca simplificar as exigências operacionais para que os recursos cheguem na ponta a quem realmente necessita. “Nós realmente precisamos ampliar o enquadramento para que produtores e produtoras que ainda não conseguiram acessar esse recurso possam acessar. Banco gosta de emprestar dinheiro para quem não precisa, por isso nosso foco no relatório é reduzir as exigências para que mais gente possa acessar a renegociação das dívidas”, explicou o parlamentar no ar.

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Reorganização do orçamento federal 

Ao tratar da sustentabilidade fiscal das propostas do Executivo, o entrevistado assegurou que os compromissos assumidos cabem na peça orçamentária mediante a readequação de gastos e o redirecionamento de investimentos. O deputado defendeu um novo modelo para a aplicação das emendas parlamentares, sustentando que os recursos devem atender prioritariamente às demandas essenciais dos municípios, como saúde e educação infantil, além de exigir transparência total na destinação das verbas públicas. “Tudo o que o presidente Lula propôs cabe dentro do orçamento; nós não queremos criar novas despesas, nós queremos redirecionar recursos que hoje já existem. Nós precisamos colocar as emendas parlamentares em projetos e programas que são a prioridade do país e da cidade, pois não é possível que exista uma emenda parlamentar que ninguém saiba o destino dela”, ressaltou.

Diálogo republicano e coordenação da transição governamental

Paulo Pimenta destacou sua relação de lealdade histórica com o presidente eleito e reafirmou seu papel na equipe de transição para estruturar as primeiras medidas da futura gestão. O parlamentar garantiu que o governo federal manterá uma postura republicana e respeitosa com todos os governadores estaduais, independentemente de filiação partidária, apelando pelo fim de contestação dos resultados das urnas para focar na reconstrução econômica do país. “O presidente Lula é um democrata e sempre governou tratando todos os governadores de todos os partidos com o maior respeito. Tenho uma relação de muita franqueza com o presidente e ele pode contar comigo para a tarefa que precisar; por hora, o que ele me pediu foi para ajudar na transição e garantir o diálogo com o nosso estado e o Brasil”, finalizou o deputado na Rádio Acústica FM.