Na manhã desta terça-feira (27), o programa Primeira Hora recebeu o urologista Dr. Rafael Fraga para esclarecer dúvidas frequentes sobre a saúde do trato urinário e desmistificar os fatores que provocam as famosas crises de cólica renal. Durante a entrevista, o especialista abordou a estenose da junção ureteropélvica — uma alteração anatômica que pode ser congênita ou adquirida —, explicando que o estreitamento do canal entre o rim e a bexiga provoca a retenção da urina e infecções urinárias de repetição, podendo levar à perda progressiva da função do órgão se não houver a devida intervenção cirúrgica. Ao tratar da fisiologia das dores renais, o médico reforçou que o alinhamento do diagnóstico precoce evita complicações graves tanto em crianças quanto em adultos.

Fisiologia da cólica renal, isquemia e sintomas associados
Ao detalhar o mecanismo por trás das crises intensas na região lombar, o urologista explicou que, embora a maioria das pessoas associe a cólica diretamente aos cálculos renais, o desconforto agudo ocorre devido à obstrução da passagem da urina e à pressão gerada dentro do sistema coletor. O represamento provoca uma redução temporária da irrigação sanguínea no parênquima renal — tecido responsável por filtrar a urina —, desencadeando um quadro doloroso acompanhado de reflexos sistêmicos no organismo. O especialista lembrou que esse sofrimento característico exige atendimento médico rápido para aliviar os sintomas e restaurar o fluxo urinário normal. “A cólica renal é uma dor intensa que acontece no lado do rim acometido. Quando a pedra tranca o canal, ocorre a dilatação e a isquemia do parênquema renal, que é a carne do rim, e essa isquemia causa uma dor terrível, acompanhada por náuseas, vômitos e, às vezes, sangue na urina e sensação de desmaio”, detalhou o médico no ar.
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Diagnóstico diferencial na emergência e infecções urinárias altas
Durante o bate-papo, o convidado trouxe um alerta sobre a necessidade de investigações exaustivas nas unidades de pronto atendimento, pois a dor no lado lombar pode sinalizar quadros de infecção renal alta sem a presença de pedras ou até mesmo outras patologias abdominais severas. O Dr. Rafael explicou que bactérias vindas da bexiga podem subir até o rim quando a infecção de urina comum não é tratada adequadamente, exigindo exames minuciosos e um diagnóstico diferencial atento por parte das equipes de saúde para evitar equívocos com gastroenterites ou crises de apendicite. “Se vem um paciente consultar com dor no rim, eu tenho que pensar em apendicite, inflamação da vesícula, gastrite, pancreatite ou abscesso e, obviamente, em cálculo ou infecção dos rins. A infecção renal pode ser ocasionada por uma infecção na bexiga que não foi bem tratada e subiu, por isso os profissionais devem investigar exaustivamente para fazer o diagnóstico e tratar corretamente”, ressaltou.
Condutas terapêuticas: analgésicos, medicação e cirurgias modernas
O urologista destacou que o manejo da dor renal exige uma abordagem em duas etapas: o alívio sintomático imediato seguido pelo combate à causa raiz do problema. Dependendo da gravidade e da origem da patologia, o tratamento pode variar entre o uso de antibióticos por via oral ou injetável, o acompanhamento clínico de pequenos cálculos ou a realização de procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos que desobstruem o canal com rapidez e eficiência. “A primeira coisa na cólica renal é aliviar a dor do paciente. Num segundo momento, tratamos a causa: se for infecção, usamos antibióticos e, para pacientes com pedra nos rins que estão trancadas no canal, a cirurgia hoje resolve o problema na hora, enquanto pedrinhas muito pequenas a gente só acompanha para ver se o corpo elimina sozinho”, concluiu o especialista.



