O aumento de casos de sarampo nas Américas acende um alerta para as autoridades de saúde e reforça a importância de manter a vacinação em dia. Em entrevista concedida à Rádio Acústica FM nesta terça-feira (27), a analista de saúde da Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS-RS), Lara Villanova Crescente, destacou o cenário epidemiológico da doença e a necessidade de ampliar a proteção da população.

Segundo a especialista, o Rio Grande do Sul não registra circulação do vírus desde 2020. Apesar disso, o Estado teve dois casos importados em 2024 e 2025, sem transmissão associada. O cenário internacional, entretanto, preocupa, diante do crescimento de infecções em diferentes países e do risco de novos casos relacionados a viagens e deslocamentos internacionais.
De acordo com Lara, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou aumento de 12% nos casos de sarampo no mundo em 2026. Nas Américas, foram contabilizados mais de 56 mil casos confirmados e 77 mortes até o momento mencionado na entrevista. Estados Unidos, México, Canadá e Guatemala estão entre os países com maior número de registros.
No Brasil, o país mantém o reconhecimento da eliminação da transmissão endêmica do sarampo, recertificado em 2024. Entretanto, dois surtos importantes foram registrados em 2026, nos estados de São Paulo e Amazonas, relacionados à importação do vírus. Conforme os dados apresentados pela analista, o Brasil contabilizava 61 casos confirmados, considerados controlados pelas autoridades sanitárias.
Quais são os sintomas do sarampo?
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. Os primeiros sintomas geralmente incluem febre, coriza, tosse e vermelhidão nos olhos. Na sequência, surgem manchas vermelhas na pele, inicialmente na região do rosto, que se espalham progressivamente pelo restante do corpo.
Lara explica que as manchas do sarampo são diferentes das lesões características da catapora. Enquanto a catapora costuma provocar pequenas bolhas com líquido e coceira intensa, o sarampo apresenta manchas avermelhadas, geralmente sem coceira.
A doença pode provocar complicações graves, especialmente em crianças menores de cinco anos, adultos, gestantes e pessoas com a imunidade comprometida. Entre os riscos estão pneumonia, encefalite e perda auditiva, além da possibilidade de morte.
Suspeita exige notificação imediata e isolamento
A analista ressaltou que o sarampo é uma doença de notificação compulsória imediata. Isso significa que, diante de uma suspeita, os profissionais de saúde devem comunicar a vigilância epidemiológica municipal para que sejam adotadas as medidas necessárias de investigação e controle.
A confirmação envolve a coleta de amostras, como sangue, secreção nasofaríngea e urina, conforme a investigação laboratorial indicada pelas equipes de saúde.
Outro ponto destacado é a elevada capacidade de transmissão do vírus. Segundo Lara, a pessoa infectada pode transmitir o sarampo antes mesmo do aparecimento das manchas e continuar transmitindo durante os primeiros dias após o surgimento das lesões. Por isso, diante de uma suspeita, é fundamental seguir as orientações dos profissionais de saúde, incluindo o isolamento para evitar novas infecções.
Vacinação é a principal forma de prevenção
Durante a entrevista, Lara reforçou que a vacinação é a principal estratégia para prevenir o sarampo e evitar complicações. A vacina tríplice viral, disponível nas unidades básicas de saúde, protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Conforme o esquema vacinal informado pela especialista, pessoas de um a 29 anos devem comprovar duas doses da vacina. Já para a faixa dos 30 aos 59 anos, uma dose comprovada é considerada suficiente. Trabalhadores da área da saúde devem ter duas doses registradas, independentemente da idade, conforme as orientações mencionadas na entrevista.
A analista também orientou quem perdeu a carteira de vacinação ou não possui registros a procurar uma unidade de saúde para avaliar e atualizar a situação vacinal.
No calendário infantil, a primeira dose da tríplice viral é aplicada aos 12 meses de idade, enquanto a segunda dose é administrada aos 15 meses, por meio da vacina tetraviral ou da combinação indicada pelo calendário de vacinação.
Segunda dose é desafio para a cobertura vacinal
De acordo com Lara, o Rio Grande do Sul tem conseguido atingir a meta de cobertura vacinal para a primeira dose em anos recentes, mas a segunda dose ainda representa um desafio. A meta estabelecida é de 95% de cobertura da população-alvo, índice considerado importante para reduzir a circulação do vírus e proteger a comunidade.
A especialista atribui parte da dificuldade à perda da percepção de risco por gerações que não convivem frequentemente com a doença. Apesar disso, alertou que o sarampo continua sendo uma ameaça e pode provocar consequências graves.
“Nove de cada dez contatos com caso de sarampo que não têm o esquema vacinal completo vão desenvolver a doença”, destacou a analista durante a entrevista, ao reforçar a elevada transmissibilidade do vírus.
Alerta também para quem pretende viajar
O risco de exposição ao sarampo exige atenção especial de quem planeja viajar para outros países, principalmente diante do aumento de casos em diferentes regiões do mundo.
Lara recomendou que os viajantes confiram a carteira de vacinação com antecedência, preferencialmente pelo menos 15 dias antes do embarque, para verificar se o esquema está completo.
A orientação é que a população não espere o surgimento de casos próximos para buscar proteção. A conferência dos registros e a atualização das doses indicadas são medidas essenciais para manter o Rio Grande do Sul protegido e reduzir o risco de reintrodução da doença.



