Uma semana depois da colisão frontal entre um caminhão e um ônibus intermunicipal com 11 vítimas fatais na BR-116, em Pelotas, a investigação policial ainda não avançou por falta de laudos técnicos. O acidente ocorreu na manhã de 2 de janeiro, no quilômetro 491 da rodovia. Das 12 pessoas feridas, uma mulher de 31 anos segue internada.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da colisão, tratada inicialmente como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O andamento da apuração depende dos laudos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que ainda não foram encaminhados à autoridade policial.
Segundo o delegado César Nogueira, responsável pelo caso, o inquérito tem prazo legal de 30 dias, mas permanece sem avanços concretos. “Ainda não recebemos os laudos periciais, o que impede a evolução da investigação”, afirmou à GZH.
Velocidade acima do limite é investigada
Informações preliminares da PRF indicam que o motorista da carreta, um homem de 25 anos, natural de Pelotas, trafegava acima da velocidade permitida no trecho. O tacógrafo do veículo apontaria velocidade superior a 70 km/h em um ponto onde o limite é de 40 km/h.
A velocidade exata, no entanto, só será confirmada após a conclusão da perícia técnica. “Nosso laudo está em fase de homologação, uma auditoria interna, para depois ser encaminhado à Polícia Civil”, informou Daniel Pitrez, chefe da PRF, também à GZH.
Todas as mortes ocorreram no ônibus
As 11 vítimas fatais estavam no ônibus intermunicipal que fazia a linha Pelotas–São Lourenço do Sul. Entre os 12 sobreviventes, apenas uma passageira permanece internada na UTI. O estado de saúde não foi divulgado. Familiares foram procurados, mas optaram por não se manifestar.
- Carlos Roberto Blank, 34 anos, (cobrador do ônibus) — Natural de São Lourenço do Sul
- Luiz Anselmo da Silva, 57 anos, (motorista do ônibus) — Natural de São Lourenço do Sul
- Luís Fernando Pinto Ramson, 47 anos — Natural de São Lourenço do Sul
- Paulo Lages da Silva, 61 anos — Natural de São Lourenço do Sul
- Dalvino Frank, 73 anos — Natural de Pelotas
- Neisa Jovelina Fernandes Ribeiro, 77 anos — Natural de Bagé
- Galileu da Silva Ribeiro, 70 anos — Natural de Candiota
- Jaqueline dos Santos Duarte, 47 anos — Natural de Oriximiná, no Pará
- Aida Weber, 72 anos — Natural de Pelotas
- Daizi Moraes Jalil Isa, 85 anos — Natural de Pelotas
- Vera Regina Foster de Souza, 52 anos — Natural de São Lourenço do Sul
Dinâmica do acidente
O ônibus saiu da rodoviária de Pelotas às 10h30 com destino a São Lourenço do Sul. De acordo com a apuração, um caminhão parou na pista após o acionamento do sistema de parada por satélite, bloqueando uma das faixas. A concessionária Ecovias Sul passou a operar o tráfego no sistema “pare e siga”.
Na sequência, a carreta envolvida no acidente, que seguia no sentido Capital–Interior, desviou da fila de veículos parados, invadiu a pista contrária e colidiu frontalmente com o ônibus, que trafegava no sentido Interior–Capital. Com o impacto, a carga de areia transportada pela carreta caiu sobre o coletivo, atingindo os passageiros.
A dinâmica do acidente foi registrada por câmera de segurança da Ecovias Sul.
Trecho operava em pista simples
O acidente ocorreu em um trecho duplicado da BR-116 que operava em pista simples havia alguns meses, em razão das obras na ponte do arroio Corrientes. Segundo a Ecovias Sul, no momento da colisão, o local estava devidamente sinalizado.
A Polícia Civil ainda deve ouvir sobreviventes e testemunhas após o recebimento dos laudos para esclarecer a dinâmica do acidente e eventual responsabilidade criminal.




