setor do tabaco

Acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar competitividade internacional do tabaco brasileiro

SindiTabaco avalia que desgravação pode equilibrar disputa com produtores africanos no mercado europeu

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode ampliar a competitividade do tabaco brasileiro no mercado europeu ao prever a redução gradual das tarifas de importação até a eliminação total do imposto. O tema foi comentado nesta segunda-feira (26) pelo presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, em entrevista à Rádio Acústica FM.

Acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar competitividade internacional do tabaco brasileiro. Foto: SindiTabaco/Divulgação.
Acordo entre Mercosul e União Europeia pode ampliar competitividade internacional do tabaco brasileiro. Foto: SindiTabaco/Divulgação.

A expectativa do setor é de que a medida reduza a diferença de condições comerciais em relação a concorrentes africanos, que já exportam com vantagens tarifárias para a Europa, e fortaleça as vendas brasileiras ao bloco, responsável por mais de 30% das exportações nacionais de tabaco.

Europa concentra mais de 30% das exportações brasileiras de tabaco

A União Europeia é um dos principais destinos do tabaco produzido no Brasil.  A Bélgica aparece como principal porta de entrada do produto no continente.

No entanto, Valmor explicou que nem todo tabaco brasileiro permanece no país, mas chega ao mercado europeu por meio da Bélgica, que tem participação relevante na comercialização e no uso em charutos e produtos semelhantes. Alemanha e Polônia também estão entre os principais destinos do tabaco brasileiro.

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Redução de tarifas pode corrigir assimetria com concorrentes africanos

Pelo texto que está sendo negociado, as exportações brasileiras de tabaco passarão a contar com redução anual das alíquotas de importação até a eliminação total do imposto. Para o presidente do SindiTabaco, a mudança pode corrigir uma diferença competitiva que hoje favorece outros fornecedores.

“Atualmente, os principais concorrentes do Brasil nas exportações de tabaco são países africanos que já se beneficiam de isenções tarifárias no acesso ao mercado europeu. Nos últimos anos, Maláui, Tanzânia e Zimbábue ampliaram de forma consistente sua produção, o que reforça a necessidade de o Brasil reduzir assimetrias comerciais para preservar e ampliar sua participação no bloco europeu”, observa.

ComexStat aponta US$ 1,12 bilhão exportados para a União Europeia em 2025

Dados do ComexStat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, indicam que a União Europeia importou do Brasil, em 2025, US$ 1,12 bilhão em tabaco. O volume corresponde a quase 204 mil toneladas.

Os números reforçam a relevância do bloco para o setor e sustentam a avaliação de que o acordo pode gerar ganhos ao tabaco brasileiro, caso seja aprovado e entre em vigor.

Acordo ainda depende de aprovação na Europa e nos países do Mercosul

Apesar do cenário considerado favorável pelo setor, Thesing afirmou que os efeitos não serão imediatos. O acordo ainda precisa passar por etapas institucionais, incluindo votação no Parlamento Europeu. Ele também destacou que há países que pedem ajustes no texto.

O texto ainda precisa ser aprovado pelos congressos do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e do Brasil para entrar em vigor.

Desgravação será gradual e pode levar até sete anos

A redução das tarifas deve ocorrer de forma progressiva ao longo de alguns anos, com prazos diferentes conforme o tipo de produto. “A desgravação do tabaco manufaturado é de quatro anos, e a do tabaco não manufaturado, de sete anos”, explica o presidente do SindiTabaco.

“A perspectiva é de que o acordo traga benefícios e gere potencial para novos negócios, em razão do aumento da competitividade do tabaco brasileiro no mercado europeu”, destaca.

Com a possível eliminação das tarifas, o Brasil poderá disputar o mercado europeu em condições mais equilibradas, segundo a avaliação do setor. A expectativa é de que o país amplie o fluxo comercial com produção vinculada ao Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT) e ao manter sua posição de fornecedor regular.