expectativa

Acordo Mercosul–União Europeia pode ampliar exportações da agricultura familiar

Café, frutas e queijos artesanais estão entre os produtos com maior potencial no mercado europeu

O acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e a União Europeia tende a abrir novas oportunidades para a agricultura familiar brasileira, especialmente para produtores de café, frutas e lácteos. A avaliação é do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, feita nesta terça-feira (20), durante participação no programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Acordo Mercosul–União Europeia pode ampliar exportações da agricultura familiar. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil.
Acordo Mercosul–União Europeia pode ampliar exportações da agricultura familiar. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil.

Segundo o ministro, a retirada de tarifas para produtos já processados permitirá que agricultores familiares ampliem as vendas para o mercado europeu, considerado de alto poder aquisitivo. Ele destacou que o café brasileiro é majoritariamente produzido por pequenos agricultores, o que coloca o setor em posição estratégica no novo cenário comercial.

Café e frutas lideram potencial de exportação

De acordo com Paulo Teixeira, além do café, a fruticultura familiar também deve se beneficiar diretamente do acordo. Produtos como açaí, manga, uva e melão já apresentam demanda crescente no mercado internacional e passam a ter acesso facilitado à União Europeia, sem cobrança de taxas de importação.

O ministro explicou que a busca por novos mercados foi acelerada pelo contexto internacional, especialmente após a adoção de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos, o que contribuiu para fortalecer a relação comercial com o bloco europeu.

Receba todas as notícias da Acústica no seu WhatsApp tocando aqui!

Queijos artesanais entram no radar do mercado externo

Outro segmento citado como promissor é o de lácteos, com destaque para os queijos artesanais de Minas Gerais. Segundo o ministro, o acordo cria condições para ampliar a produção e a exportação desses produtos, inclusive para países tradicionalmente produtores de queijo, como a França.

Ele mencionou a região da Serra da Canastra como exemplo de território com produtos de alto valor agregado, que já são comercializados no Brasil como itens especiais e que podem conquistar consumidores europeus.

Investimentos e máquinas impulsionam produção familiar

Paulo Teixeira ressaltou que os investimentos do governo federal na agricultura familiar, por meio do Plano Safra, vêm alcançando volumes recordes. Esse movimento, segundo ele, tem refletido no aumento da renda no campo e no crescimento da venda de máquinas agrícolas de pequeno porte.

O ministro afirmou que esse segmento tem sido responsável por impulsionar parte da indústria nacional de máquinas, uma vez que o agricultor familiar passou a investir mais em tecnologia e equipamentos para ampliar a produção.

Apoio da Apex e políticas para jovens no campo

Para viabilizar a entrada dos agricultores familiares no mercado europeu, o ministro destacou o papel da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), que pode atuar na prospecção de mercados e no apoio técnico, com auxílio de adidos agrícolas vinculados aos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura.

Ele também antecipou que o governo federal prepara políticas públicas voltadas à transferência de conhecimento científico da Embrapa e de universidades para a agricultura familiar, com foco especial em jovens que optarem por permanecer no campo.

Reforma agrária e compras públicas

Outro anúncio citado pelo ministro é um pacote de desapropriações de terras, previsto para ser apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (23), durante encontro com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador.

Segundo Paulo Teixeira, o pacote deve incluir, além das áreas destinadas à reforma agrária, crédito rural, assistência técnica, estímulo à organização em cooperativas e acesso a programas de compras públicas. A avaliação do ministro é de que a ampliação da reforma agrária contribui para reduzir conflitos e promover estabilidade no meio rural.