Aposentados e pensionistas de Camaquã e região estão enfrentando problemas com a identificação de descontos indevidos em seus benefícios. Em entrevista à Rádio Acústica FM, o advogado Gustavo Longaray e o presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Camaquã, Ady Ávila, detalharam como as abusivas deduções – que chegam a variar de 45 a 300 reais – têm afetado os beneficiários, revelando um esquema que se estende por todo o Brasil.

Fraude e desinformação
Segundo o advogado, as irregularidades começaram a ser observadas há mais de um ano, quando alguns aposentados notaram a presença de descontos em seus extratos oriundos de associações que, na prática, sequer existem ou não prestam os serviços prometidos:
“Os descontos estão sendo efetuados sem a devida autorização e sem que haja um contrato assinado pelo beneficiário, o que torna o golpe ainda mais fácil de ser aplicado”, afirmou Gustavo Longaray.
A prática, que teria se intensificado após a criação de um sistema para desconto consignado – já utilizado em operações de empréstimos – se mostrou problemática, permitindo que golpistas explorem a fragilidade financeira dos aposentados.
Impacto nas entidades de aposentados
O representante da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Camaquã, ressaltou que a situação também prejudica entidades sérias:
“Temos uma campanha constante de adesão, na qual os associados preenchem formulários e são orientados a seguir uma série de procedimentos burocráticos, garantindo o acesso a serviços como fisioterapia, psicologia, assessoria jurídica e atividades de lazer. Ao mesmo tempo, golpistas se aproveitam do sistema para fazer descontos indevidos e, com isso, manchar a credibilidade de todas as associações”, explicou Ávila.
Solução para cobranças
Diante dos descontos não autorizados, os especialistas recomendam que os beneficiários fiquem atentos aos extratos bancários e do INSS. Caso percebam alguma cobrança indevida, é essencial buscar a orientação de um advogado para solicitar o cancelamento administrativo e, se necessário, ingressar com medida judicial para reaver os valores descontados – inclusive com a possibilidade de pleitear indenização por danos morais. O governo, por sua vez, tem sugerido acordos administrativos para ressarcimento, mas essa proposta exige que os pensionistas abdiquem de futuras ações contra o INSS, mantendo, porém, a possibilidade de litígio contra as associações responsáveis.
Alerta da justiça
A conferência dos dados e a verificação dos formulários assinados são passos fundamentais para que os direitos dos aposentados sejam protegidos:
“A falta de clareza e a dificuldade em se obter informações confiáveis sobre essas associações aumentam o risco de fraudes, e a pressão para que os beneficiários aceitem acordos desfavoráveis é um problema que ainda precisa ser enfrentado”, concluiu o advogado.
As discussões sobre as medidas de ressarcimento continuam, mantendo a comunidade de aposentados em alerta. A partir da última sexta-feira (25), o Governo Federal iniciou o envio de mensagens por WhatsApp para aposentados e pensionistas que têm direito à restituição de valores descontados indevidamente em seus benefícios do INSS.



