A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) divulgou os números finais da safra de tabaco no Sul do país, que apontam uma redução de 1,3% na produção em comparação ao ciclo anterior. Em entrevista concedida neste sábado (29), o presidente da entidade, Marcilio Laurindo Drescher, detalhou os resultados e manifestou preocupação com a queda na remuneração recebida pelos produtores.

Segundo Drescher, a produção total dos três estados do Sul alcançou 710.229 toneladas de tabaco, frente às 719.891 toneladas registradas na safra anterior. O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, foi o mais impactado pelas condições climáticas e registrou redução de 5,5% na produção.
De acordo com o dirigente, a quebra já era esperada desde novembro, quando fatores climáticos afetaram o desenvolvimento das lavouras gaúchas e comprometeram a produtividade. Enquanto o Rio Grande do Sul apresentou retração, Santa Catarina teve queda de 1,1% e o Paraná registrou aumento de 5,1% na produção, resultado atribuído à recuperação da produtividade no estado.
Apesar da redução geral, o presidente da Afubra destacou que algumas regiões tiveram desempenho superior à média estadual. É o caso da região de Camaquã e da Costa Doce, onde muitos produtores obtiveram produtividade e qualidade acima do esperado, especialmente devido ao cultivo escalonado entre as safras de tabaco precoce e tardio.
Comercialização preocupa produtores
O principal alerta da Afubra, no entanto, não está relacionado ao volume produzido, mas à comercialização da safra. Segundo Drescher, os preços pagos aos produtores ficaram muito abaixo do esperado, gerando desânimo no setor.
“O produtor não recebeu uma remuneração justa nesta safra”, afirmou o presidente, ao comentar a desvalorização do tabaco durante o processo de compra pelas empresas. Ele ressaltou que, mesmo com boa qualidade do produto e uma classificação cuidadosa realizada pelos agricultores, os valores pagos não acompanharam os custos de produção.
No Rio Grande do Sul, o preço médio pago pelo tabaco caiu de R$ 20,45 por quilo na safra anterior para R$ 17,69 nesta temporada, uma redução média de 13,5%. Além disso, os custos de produção aumentaram entre 6% e 10%, agravando ainda mais a situação financeira dos produtores.
Impacto na economia regional
Drescher afirmou que a redução na renda dos fumicultores afeta não apenas as famílias rurais, mas toda a economia dos municípios produtores. Conforme os dados apresentados pela Afubra, a receita gerada pelos produtores de tabaco do Sul do Brasil caiu cerca de 11,9% em relação à safra passada, reduzindo significativamente a circulação de recursos nas comunidades dependentes da atividade.
O dirigente também observou que alguns agricultores já avaliam alternativas fora da fumicultura, enquanto outros buscam emprego nas cidades. Para ele, a saída passa pelo planejamento das propriedades, adequando a área plantada à disponibilidade de mão de obra e à capacidade de investimento de cada família.
Ao encerrar a entrevista, o presidente da Afubra classificou a atual safra como uma das mais difíceis dos últimos anos para os produtores, em razão da combinação entre preços baixos, custos elevados e redução na renda das famílias ligadas à cadeia produtiva do tabaco.





