AGRICULTURA

Agricultura gaúcha enfrenta queda na rentabilidade em maio com recuo nos preços pagos ao produtor

Indicadores da Farsul apontam desvalorização dos principais produtos agropecuários, enquanto custos de produção seguem em trajetória de alta no acumulado do ano

O setor agropecuário do Rio Grande do Sul viveu um cenário de disparidade em maio de 2026. Enquanto o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) apresentou estabilidade, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos Pelos Produtores Rurais (IIPR) registrou queda, interrompendo uma trajetória de alta observada nos meses anteriores.

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Foto: Reprodução/Paulo Rossi

O IICP fechou o mês de maio com uma variação praticamente nula, alta de apenas 0,04%. Segundo a Assessoria Econômica do Sistema Farsul, responsável pelos indicadores, o alívio nos custos foi impulsionado pela queda na taxa de câmbio, que barateou insumos importados como fertilizantes e defensivos, além da redução nos preços do diesel, o que diminuiu a pressão sobre fretes e operações mecânicas.
Apesar do alívio pontual, a tendência de longo prazo mostra uma retomada na pressão de custos. No acumulado de 12 meses, o IICP avançou para 3,11%, sinalizando que os custos voltaram a subir após o período de deflação verificado em 2025. No acumulado do ano, a alta chega a 5,94%, concentrada principalmente nos meses de março e abril.

Preços recebidos em retração

Em contrapartida, o cenário para o produtor foi de desvalorização em maio. O IIPR registrou uma queda mensal de 1,98%, movimento impulsionado principalmente pela desvalorização de produtos como soja, arroz e suínos.

Com este resultado, o IIPR acumula uma queda de 7,64% em 12 meses, indicando que os preços pagos ao produtor continuam abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior.
relatório da Farsul destaca ainda o “descasamento” entre o que o produtor recebe e o que o consumidor final paga nas prateleiras, medido pelo IPCA Alimentos. Enquanto o IIPR acumula retração em 12 meses, o IPCA Alimentos segue pressionado, com alta de 3,87% no mesmo período. Para os analistas, essa diferença evidencia que a inflação de alimentos não tem sua origem no campo, mas sim ao longo das demais etapas da cadeia produtiva e por fatores da dinâmica macroeconômica.
Os dados deste relatório fazem parte da série histórica monitorada pelo Sistema Farsul e estão disponíveis para consulta no Farsul Big Data.

Confira relatório de preços pagos a agricultura neste link

Fonte: Sistema Farsul

Tags: Agricultura, arroz, Farsul