Na manhã desta sexta-feira (17), o programa Primeira Hora recebeu o pneumologista Dr. Marcelo Mallmann para esclarecer as causas, diagnósticos e tratamentos do derrame pleural, condição popularmente conhecida como “água no pulmão”. Durante a entrevista, o especialista explicou a anatomia da região, pontuando que existem duas pleuras revestindo o órgão: a parietal, voltada para as costelas, e a visceral, encostada no parênquima pulmonar.

Papel determinante da punção pleural
O pneumologista detalhou que a análise visual e laboratorial do líquido acumulado é o fator primordial para definir a gravidade do caso e direcionar o tratamento correto. Ele enfatizou que exames tradicionais de imagem possuem limitações cruciais nessa etapa, esclarecendo que os médicos não conseguem diferenciar o tipo de derrame apenas pelo raio-X e que a tomografia não muda o diagnóstico definitivo. De acordo com o especialista, o mistério só é desfeito no consultório por meio da toracentese. “O diagnóstico só é possível com certeza com a punção”, garantiu Mallmann, explicando que a coloração do material retirado serve como um termômetro imediato para a equipe médica: o aspecto amarelo citrino costuma indicar causas benignas, enquanto a presença de sangue exige atenção redobrada por sinalizar uma possível neoplasia.
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A diversidade de causas por trás do acúmulo de líquido
A investigação médica a partir dos chamados critérios de Light — que classificam o líquido entre transudato e exsudato — serve para identificar condições que vão desde disfunções em outros órgãos até quadros infecciosos e tumorais. Entre as causas mais frequentes identificadas no consultório, o médico citou cenários cotidianos e patologias complexas, como a insuficiência cardíaca e o pleuris tuberculoso, lembrando que a pleura e os linfonodos formam a segunda região mais afetada pela tuberculose no corpo humano. Em quadros mais severos, o acúmulo decorre de metástases provocadas por tumores originados no próprio pulmão, nas mamas ou no sistema ósseo, existindo ainda manifestações raras como o quilotórax, caracterizado por um líquido de aspecto leitoso.
Impacto na mecânica respiratória
O acúmulo desse volume excedente gera um impacto físico severo no bem-estar do paciente, comprimindo o órgão de fora para dentro e sabotando a capacidade de inflar os pulmões. Diante do questionamento sobre o sofrimento gerado no cotidiano do doente, o pneumologista confirmou o severo desconforto mecânico: “deve ser difícil para respirar quem está com esse líquido, porque tu tem uma compressão extrínseca externa do pulmão”. Para mitigar os sintomas em pacientes com quadros oncológicos avançados, o médico destacou o uso da pleurodese, um procedimento anteriormente conhecido como talcagem, cujo objetivo é colar as duas camadas da pleura para erradicar o espaço vago e impedir de forma definitiva que o organismo volte a acumular novas secreções líquidas.



