AGRICULTURA

Alta no diesel preocupa produtores durante colheita no RS

Farsul alerta sobre influência do mercado internacional no preço de combustíveis

O aumento no preço do óleo diesel e relatos de dificuldade de abastecimento no Rio Grande do Sul acenderam um sinal de alerta no setor produtivo, especialmente em meio ao período de colheita das principais culturas agrícolas do Estado. A preocupação foi destacada pelo economista da Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Ruy Silveira, ao comentar nesta segunda-feira (09), sobre manifestações de produtores gaúchos.

Alta no diesel preocupa produtores durante colheita no RS
. Foto: Divulgação/INPI

Segundo Silveira, a situação ocorre justamente em um momento crítico para o campo. A colheita do arroz já começou e a da soja deve ganhar ritmo nas próximas semanas, atividades que dependem diretamente do combustível para o funcionamento de máquinas e transporte da produção.

“Isso nos preocupa muito, porque estamos em período de colheita. É um momento muito crítico e qualquer dificuldade no abastecimento de diesel acende um sinal amarelo”, afirmou.

Nos últimos dias, a entidade recebeu relatos de cancelamento de vendas e de alegações de falta de estoque por parte de fornecedores de combustível em algumas regiões do Estado. Distribuidores menores também estariam enfrentando dificuldades para entregar diesel a produtores rurais.

Alta do petróleo pressiona mercado do diesel

O economista explica que o cenário internacional tem forte influência no comportamento do mercado de combustíveis. De acordo com ele, o preço do petróleo registrou uma forte escalada nos últimos meses.

“O barril saiu de cerca de 61 dólares no início do ano e chegou a ultrapassar 100 dólares recentemente. É uma alta próxima de 70% em pouco mais de dois meses”, observou.

A valorização está relacionada ao aumento das tensões no Oriente Médio, especialmente com o conflito envolvendo o Irã, o que tem impactado as expectativas do mercado global de energia.

Apesar disso, Silveira avalia que o curto intervalo de tempo desde a escalada do conflito levanta dúvidas sobre a real origem de eventuais problemas de abastecimento no Brasil.

“É um período relativamente curto para que uma interrupção logística internacional já esteja gerando escassez na ponta. Por isso, há a possibilidade de estarmos diante também de um movimento especulativo no mercado”, afirmou.

Defasagem de preços e importação

Outro fator citado pelo economista é o descompasso entre o preço internacional do petróleo e os valores praticados no Brasil. Segundo ele, a falta de reajustes recentes pode ter provocado distorções no mercado.

Como o país depende parcialmente da importação de diesel — principalmente de refinarias da Rússia e dos Estados Unidos —, empresas privadas que compram combustível no exterior podem enfrentar dificuldades quando o preço interno fica abaixo do praticado no mercado internacional.

“Quando o preço fica represado por muito tempo, o ajuste depois acaba vindo de forma mais brusca, e isso atinge diretamente o setor produtivo e o consumidor”, explicou.

Impacto direto no campo

Para os produtores, o diesel é um insumo essencial durante a safra. Máquinas agrícolas, colheitadeiras, caminhões e sistemas de transporte dependem diretamente do combustível para manter as operações.

Silveira alerta que qualquer atraso no abastecimento pode gerar prejuízos em um momento decisivo da produção.

“O Rio Grande do Sul está diante de uma safra que pode ser positiva dentro das condições recentes. Ter perdas ou frustração com grãos prontos para colher por falta de um insumo básico seria extremamente grave”, afirmou.

Além da lavoura, o economista ressalta que eventual escassez pode provocar efeitos em cadeia na economia. “Quando falta diesel para a agricultura, falta também para o transporte e para outras atividades. Isso acaba impactando toda a cadeia produtiva.”

Risco de corrida por combustível

Outro ponto de preocupação é a possibilidade de uma corrida por diesel caso o temor de desabastecimento se espalhe entre produtores e distribuidores.

Segundo Silveira, esse comportamento pode intensificar o problema:

“A percepção de escassez pode levar muitas pessoas a comprar combustível em quantidade maior do que o necessário, o que acaba agravando a falta no mercado.”

Diante do cenário, o setor aguarda os próximos dados oficiais sobre o abastecimento nacional, que devem ser divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), para avaliar a dimensão real do problema.

Tags: Agricultura, Diesel, Rio Grande do Sul